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Conversations Women's Rights

365 Days – Abuse as Romance

Text in English (Vê a versão em Português abaixo)

Check the Independent review.

The new Netflix movie 365 dni or 365 Days is.. Disturbing. The online reaction to it, it is even more.

I know what you might think. It is just a movie. It is entertainment. Well, it is also the life of several women in abusive relationships. Just without the money and shopping and hot guy that apparently makes it look acceptable and romantic.

Let’s talk from a plot perspective.

A women is kidnapped by a Mafia boss from Italy who says she HAS to stay with him for 365 days until she falls in love with him.

Romantic?

Except when she is kidnapped and held against her will. When he threatens to kill her parents if she leaves. When she tries to leave and he punishes her. When he demands a flight attendant to be on her knees, not showing any sign of previous consent. When he grabs her by the neck and push her against walls. When he ties her up and leaves her there. When he blames her for a guy attempt to rape her. When he assaults her by throwing her from a boat, and blames her for it. I could go on but you got the picture.

One thing that some people seem to not realize is that she never gave any kind of consent, even when she verbally does. If a woman is threatened to stay in a relationship, where she can’t leave, any sexual encounter is non-consensual. Period. She is not staying because she wants to, she is staying because he demands it from her and it is a question of survival for her. Some women develop Stockolm Syndrome to survive. That is what this movie is portraying, not love, nor lust.

However Netflix romanticize the idea that a kidnapped and abused women has a nice life. She now has money, the actor is cute, so it is ok.

Michelle Knight, Amanda Berry and Georgina DeJesus, were kidnapped and held by Ariel Castro for 11 years, had a traumatizing agonizing experience.

Natascha Kampusch was kidnapped and held for more than 8 years. She got some sort of freedom at some point, but she was so terrified that she didn’t tried to escape, or call someone.

Jaycee Dugard. Elizabeth Smart

Or maybe to the 60 women that were killed by men in the UK where the men said in court they “wanted it”, and got lighter sentences or got away with murder by using the “rough sex” defense. (Please check @WeCan’tConsentToThis).

Domestic abuse has several different types of agression, like gaslighting (when he blames her for things that are his fault for example), threats, dominance displays, and others, all showed in this movie. We are saying to our daughters that the red flags they are seeing are romantic and sexy, and to our sons that they just need to keep asking until she says yes (even when she says NO), she just need a good rough treatment.

So no, this is not just enterteinment. This is a movie that sells the distorted experiences of women that were kidnapped and suffered domestic violence, as consent and love.

Netflix learned nothing in the last years, and I truly hope their support of the #BlackLivesMatter movement lasts longer then their support for the #MeToo movement lasted.


Texto em Português

O novo filme da Netflix 365 dni ou 365 Dias é .. Perturbador, no mínimo.

Eu sei o que estás a pensar: “É apenas um filme. É entretenimento. “

Bem, é também a vida de várias mulheres em relacionamentos abusivos. Apenas sem o dinheiro, as compras e o gajo jeitoso que aparentemente faz com que pareça aceitável e romântico.

Vamos falar do enredo do filme.

Uma mulher é sequestrada por um chefe da Máfia Italiana que diz que ela TEM que ficar com ele por 365 dias até se apaixonar por ele.

Romântico?

Excepto quando ela é sequestrada e mantida contra a sua vontade. Quando ele ameaça matar os seus pais se ela se for embora. Quando ela tenta fugir e ele a castiga. Quando ele exige que uma comissária de bordo esteja de joelhos e lhe faça sexo oral, sem mostrar nenhum sinal de consentimento prévio. Quando ele a agarra pelo pescoço e a empurra contra as paredes. Quando ele a amarra e a deixa lá. Quando ele a culpa por um homem a tentar abusar sexualmente dela. Quando ele a ataca atirando-a de um barco para a água e a culpa por isso. Eu poderia continuar, mas já devem ter visto onde quero chegar.

Uma coisa que algumas pessoas parecem não perceber é que ela nunca deu nenhum tipo de consentimento, mesmo quando supostamente o fez verbalmente. Se uma mulher é ameaçada para permanecer em um relacionamento, de onde ela não pode sair, qualquer encontro sexual é não consensual. E ponto final. Ela não fica porque quer, fica porque ele exige que ela fique e é uma questão de sobrevivência para ela. Algumas mulheres desenvolvem a síndrome de Estocolmo para sobreviver. É isso que este filme está a retratar, não amor, nem luxúria.

No entanto, a Netflix acha correcto romantizar a ideia de que uma mulher sequestrada e abusada tem uma vida agradável. Ela agora tem dinheiro, o rapaz é giro, então está tudo bem.

Michelle Knight, Amanda Berry e Georgina DeJesus, três mulheres que foram sequestradas e mantidas por Ariel Castro por 11 anos, tiveram uma experiência agonizante.

Jaycee Dugard foi sequestrada e mantida em cativeiro por 18 anos. Ela teve algum tipo de liberdade a certo momento, mas estava tão aterrorizada que não tentou escapar, ou telefonar a alguém.

Natascha Maria Kampusch. Elizabeth Smart

Ou talvez as 60 mulheres que foram mortas no Reino Unido, onde os homens disseram no tribunal que “elas queriam sexo violento” e por isso receberam sentenças mais leves ou se livraram de assassinato. (Verifique @ WeCan’tConsentToThis).

Podem pensar: é muito diferente, mas será? Porque o rapto está lá. Assim como ameaças. Assim como violência.

O abuso doméstico tem várias agressões menos visíveis, como “Gaslighting” (como quando ele a culpa por coisas que são culpa dele), ameaças, exibições de dominância e outras, todas mostradas neste filme . Estamos a dizer às nossas filhas que as bandeiras vermelhas que elas vêem são românticas e sexy, e aos nossos filhos que eles só precisam continuar a perguntar até que ela diga sim (mesmo quando ela diz NÃO), ela só precisa de um bom tratamento rude e já aceita.

Então não, isso não é entretenimento, este é um filme que vende as experiências de mulheres que foram sequestradas e sofreram violência doméstica, como consentimento e amor.

A Netflix não aprendeu nada nos últimos anos, e espero sinceramente que o apoio ao movimento #BlackLivesMatter dure mais do que o seu apoio ao movimento #MeToo durou.

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