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Obsessive Compulsive Disorder – a Personal Account by Bruno Abrantes

There are other neurodiversities besides Autism, which are incredibly stigmatized and branded as taboo by society. One of those neurodiversities is OCD (Obcessive Compulsive Disorder). I bring you today the account of an old neurodiverse friend, Bruno Abrantes, and his life with OCD:

“Living with OCD became a reality for me in early 2015. Basically I think it was always with me, but it was at that time that I had several “catastrophic” episodes, at least for me. Gradually I developed a huge fear of dying or of being defective. I spent hours reading medical articles and doing tests in hospitals and clinics. But no, I was and am fine.

Over time this “OCD” became a monster, and from reading articles compulsively, I started to wash my hands so many times that I was even left with wounds. I was afraid of contagion, you know, especially HIV. I avoided greeting people, and did not accepted food from others, anyway. Only this little monster, OCD, grows and feeds on everything that our mind gives it.

Over time I started to have obsessive thoughts (and compulsions) about the most varied subjects. For example, the fear of running over someone with the car and going back to confirm that no one was on the floor. Or, the fear of pushing someone and hurting them. Suddenly, taking a walk became torture. With every minute that passed, a giant need arose in me to confirm that everything was fine. For those who do not know, an intrusive thought is a thought over which we have no control and the way we respond to this thought is what will determine whether it is a “compulsion” or not. In other words, 1. Thinking about killing a person with a knife arises 2. Person laughs at the thought and moves on. (Everything ok) 3. A person suffering with OCD thinks is it possible? Where’s the knife? It is better to put away the knife. 4. After reacting to the thought, compulsions follow. How to check if the knife is in the right place, if the person is well, etc. And so it enters a vicious circle that is getting stronger and harder to get out of. Everything is danger, everything can harm us and others. It is a constant suffering for me and for those who live close to me, which has to adapt to this routine. It is even more painful because it is not possible to “talk” openly about the subject and, like other mental problems, it is a total taboo, so much so that the parents themselves reject reality.

If I had to describe all this path and path since 2015, I would say that loneliness and impotence are the feelings that I felt most. And it’s nobody’s fault. No one is forced to have to deal with 25 checks that the car is properly closed. But .. after this text so “depressing” and “complainant”, I want to express that there is hope and every day that passes, more hope. More and more professionals are trained to deal with similar situations. New forms of therapy and yes, since 2015 I have been accompanied by a psychologist and psychiatrist. But be careful, finding a match is not easy. In other words, I already had more than 8 psychologists and 6 psychiatrists. Today I finally found the help I needed, for me, for my specific case. The domus master association in Lisbon, is specialized in dealing with OCD and honestly I made a fast and significant progress in a few months. But I still have a long way to go to deal with this little monster.

So, if you are reading this text and suffer from OCD, or any similar illness you know the following: You are not a bad person, neither incapable nor weak. Living with OCD requires heroic courage and you must be proud of your life. In addition, have moderate hope. Understand that each case is different, but although there is no cure for OCD, there are many supports and people willing to help you. And with time and persistence, you will resist doing that compulsion. And then another. And two more. And the road to recovery finally becomes visible.

Things I learned: alcohol and sugar easily become our daily escape. Compensation for suffering. But they only make our lives worse when taken in excess. Exercising (20-30 minutes, 3x a week) has a huge impact on the quality of thoughts. (This is super difficult for me to do, but I’ve already done and seen the improvements) Inform yourself, but carefully. Read a book from time to time. Follow some community like the OCD Foundation. But don’t let that make your life. As difficult as it may be, try to make your day to day as normal as possible. Work. Have fun. Communicate. Rest. It is not easy to move on. But it is possible. Go ahead. If you ever need someone to talk to, you can send me a message. “


Transtorno obsessivo-compulsivo – um relato pessoal de quem o vive, de Bruno Abrantes

Existem outras neurodiversidades para além do autismo, que são incrivelmente estigmatizadas e consideradas tabu pela sociedade. Uma dessas neurodiversidades é o TOC (Transtorno obsessivo-compulsivo). Trago hoje o relato de um velho amigo neurodiversi, Bruno Abrantes, e a sua vida com TOC:

“Viver com TOC tornou-se uma realidade para mim em inícios de 2015. No fundo acho que esteve sempre comigo, mas foi nessa altura que tive vários episódios “catastróficos”, pelo menos para mim. Aos poucos desenvolvi um receio enorme de morrer ou de ser defeituoso. Passava horas a ler artigos médicos e a fazer exames em hospitais e clínicas. Mas não, estava e está tudo bem.

Ao longo do tempo esse “OCD” tornou-se um monstro, e de ler artigos compulsivamente, passei a lavar as mãos tantas vezes que até ficava com elas em ferida. Tinha medo do contágio sabes, especialmente de HIV. Evitava cumprimentar pessoas, não aceitava comida de outros, enfim. Só que este monstrinho, OCD, vai crescendo e alimentando-se de tudo o que a nossa mente lhe dá.

Ao longo do tempo comecei a ter pensamentos obsessivos (e compulsões) sobre os mais variados assuntos. Por exemplo, o medo de atropelar alguém e voltar atrás para confirmar se ninguém estava no chão. Ou então, o medo de empurrar alguém e magoar. De repente, dar um passeio tornou-se uma tortura. A cada minuto que passava, uma necessidade gigante surgia em mim de confirmar que estava tudo bem. Para quem não sabe, um pensamento intrusivo é um pensamento sobre o qual não temos qualquer controlo e a forma como respondemos a este pensamento é o que vai determinar se é um uma “compulsão” ou não. Ou seja, 1. Pensamento sobre matar uma pessoa com uma faca surge 2. Pessoa ri-se do pensamento e segue em frente. (Tudo ok) 3. Pessoa a sofrer com OCD pensa será que é possível? Onde está a faca? É melhor guardar a faca. 4. Depois de reagir ao pensamento, seguem-se compulsões. Como verificar se a faca está no sítio certo, se a pessoa está bem, etc. E assim entra num círculo vicioso cada vez mais forte e difícil de sair. Tudo é perigo, tudo pode causar mal, a nós e aos outros. É um sofrimento constante para mim e para quem vive perto de mim, que se tem de adaptar a esta rotina. É ainda um maior sofrimento por se não se “poder” falar abertamente do assunto e tal como outros problemas do foro mental, é um taboo total, tanto que os próprios pais rejeitam a realidade.

Se eu tivesse que descrever todo este caminho e percurso desde 2015, eu diria que solidão e impotência são os sentimentos que mais senti. E não é culpa de ninguém. Ninguém é obrigado a ter que lidar com 25 verificações que o carro está bem fechado. Mas.. após este texto tão “deprimente” e “queixoso”, quero expressar que há esperança e cada dia que passa, mais esperança. Há cada vez mais profissionais capacitados para lidar com situações semelhantes. Novas formas de terapia e sim, desde 2015 que sou acompanhado por psicólogo e psiquiatra. Mas atenção, não é fácil encontrar um match. Ou seja, eu já tive mais de 8 psicólogos e 6 psiquiatras. Hoje finalmente encontrei a ajuda que precisava, para mim, para o meu caso específico. A associação domus master em Lisboa, é especializada a lidar com TOC e honestamente fiz um progresso rápido e significativo em poucos meses. Mas ainda tenho um percurso grande para lidar com este monstrinho.

Portanto, se estás a ler este texto e sofres de TOC, ou alguma doença semelhante sabe o seguinte: Tu não és uma má pessoa, nem incapaz, nem fraca. Viver com TOC requer uma coragem heroica e deves ter orgulho na tua vida. E além disso, tem esperança de forma moderada. Entende que cada caso é um caso, mas embora não haja cura para TOC, há muitos apoios e pessoas dispostas a ajudarem-te. E com tempo e persistência, vais resistir a fazer aquela compulsão. E depois outra. E mais duas. E o caminho da recuperação torna-se finalmente visível.

Coisas que aprendi: álcool e açúcar facilmente se tornam no nosso escape diário. A compensação pelo sofrimento. Mas só tornam a nossa vida pior quando tomados em excesso. Fazer exercício físico (20-30 minutos, 3x por semana) tem um impacto gigante na qualidade dos pensamentos. (Isto é super difícil para mim de fazer, mas já fiz e vi as melhorias) Informar-te, mas com cuidado. Lê um livro de vez em quando. Segue alguma comunidade como a the OCD foundation. Mas não deixes que isso torne a tua vida. Por mais difícil que seja, procura fazer o teu dia a dia o mais normal possível. Trabalha. Diverte-te. Comunica. Descansa. Não é fácil seguir em frente. Mas é possível. Força. Caso algum dia precises de alguém para falar, podes me enviar uma mensagem.”

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