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Disability Day of Mourning

Today is the Disability Day of Mourning, a day to remember disabled people who were killed by their caregivers.

Filicide is when a parent murder their child. Although in general, it is seen as a horrifying offense, when it hits the disability community it can be seen as “understandable” and “merciful”. That is what I am here to write about today.

At least 700 filicides from the last 5 years were committed where the victim was disabled, but this number is probably much higher.

When a child is murdered by their own parents, everyone tends to gather behind the child and against the horrific murder without attempting to justify this action. However, this does not happen when the child has a disability. Sometimes this murder is excused since the disabled person was a “burden” for the family. It is common that the parent receives a ligher sentence and sympathy. This not only puts the guilt of the murder into the disabled person for the “burden” that they were, but also signals to other parents that when killing their child, they will receive attention and kindness, and their punishment will be lowered.

As a disabled person, this just tells me that my life is valued less than other people, and that my murder is understandable since I am more “difficult”, and that if someone murdered me and said it was due to my disability, they would be excused, because my disability devalues my life.

This is not new, since we live in a extremely ableist society, who preferes sometimes to be death than disabled. However, it never stops being painful.

The support services for disabled people and their families is sometimes not enough, or even non-existent. This is completely true, and we need to improve support. So, how does people explain the filicide in the families that have support? This is not an occurence only happening in lower income families with no services available. This happens in every social strata. This is not a phenomenon only conected with isolation and despair of families that do not have any other possibility, but a lot of them do have options.

Between 15 and 20% of the world are disabled people, and not all parents murder their child. Filicide of disabled people is not an act of despair, is an act of murder, as much as the filicide of non-disabled people.

Does the lack of support increases difficulties for the family, as well as mental health issues? Yes. Is this a mental health issue? Not at all.

Most murders of disabled people are premeditated and thought about for days or weeks. The parents are evaluated and made competent to stand trial. This is not the desperate act of a loving parent that suffered from a mental breakdown, but most of the times, was a calculated murder. In reality, this also shows the stigma of mental illness, where we attribute murder to people who “probably have mental issues”, but it is not. In fact, people with mental health issues are more often than not victims of attacks, instead of the perpetuators.

Although in some specific cases, filicide might be due to mental health issues, or lack of options and despair, the automatic thought from society that this is the case whenever the victim is disabled is incredibly ableist. In reality, this is not the most typical case. And if we see a mentally ill parent kill their child, they will receive punishment, instead of understanding. So there is clearly a point here which is: disability is worse than death.

If you tell me, as I heard before, that “you couldn’t possibly understand how it is”, me, as a disabled person, will tell you, you couldn’t possibly understand how it is for someone to say to you directly that “your life is not as valuable, and I understand why someone would kill you”.

Each week, a disabled person dies at the hands of their caregivers.
If we keep normalizing the murder of a group of people, those people will continue to be murdered.
This is not a mercy-killing. This is murder.

To every disabled person whose lives were diminished.

Disability Day of Mourning website


Dia de Luto Pessoas com Deficiência

Hoje é o Dia de Luto pela Deficiência, um dia para relembrar e fazer luto pelas pessoas com deficiência que foram mortas pelos seus cuidadores.

Filicídio é o termo legal para quando um pai mata o seu filho/a. Embora em geral seja visto como uma ofensa horrível, quando atinge a comunidade de pessoas com deficiência pode ser visto como “compreensível” e “misericordioso”. É sobre isso que estou aqui para escrever hoje.

Pelo menos 700 filicídios foram cometidos nos últimos 5 anos, onde a vítima tinha deficiência, mas esse número é provavelmente muito maior.

Quando uma criança é assassinada pelos próprios pais, todos tendem a se reunir pela criança e contra o horrível assassinato sem tentar justificar essa ação. No entanto, isso não acontece quando a criança tem alguma deficiência. Às vezes, esse assassinato é desculpado porque a pessoa era um “fardo” para a família. É comum que os pais recebam uma sentença mais leve e simpatia. Isso não apenas coloca a culpa do assassinato na pessoa com deficiência pelo “fardo” que era, mas também sinaliza aos outros pais que, ao matar seu filho, receberão atenção e gentileza, e o seu castigo será reduzido.


Como pessoa com deficiência, isso só me diz que minha vida tem menos valor do que as outras pessoas, e que meu assassinato é compreensível, já que sou mais “difícil”, e que se alguém me assassinasse e dissesse que era devido à minha deficiência, seriam desculpados, porque a minha deficiência desvaloriza a minha vida.

Isso não é novidade, já que vivemos numa sociedade extremamente capacitista, que prefere às vezes a morte do que a deficiencia. No entanto, nunca deixa de ser doloroso.

Causado por falta de serviços? Não.

Os serviços de apoio para pessoas com deficiência e suas famílias às vezes não são suficientes, ou mesmo inexistentes. Isso é totalmente verdade e precisamos melhorar o apoio e servicos. Então, como explicam o filicídio nas famílias que têm apoio? Isso não é uma ocorrência que só acontece em famílias de baixa renda e sem serviços disponíveis. Isso acontece em todos os estratos sociais. Este não é um fenômeno conectado apenas ao isolamento e desespero de famílias que não têm outra possibilidade, mas muitas delas têm opções.

Entre 15 e 20% da população mundial são pessoas com deficiência, e nem todos os pais matam os seus filhos. Filicídio de pessoas com deficiência não é um ato de desespero, é um ato de homicídio, tanto quanto o filicídio de pessoas sem deficiência.

A falta de apoio aumenta as dificuldades para a família, bem como os problemas de saúde mental? sim. Isto é um problema de saúde mental? Nao, de forma alguma.

A maioria dos assassinatos de pessoas com deficiência é premeditada e pensada por dias ou semanas. Os pais são avaliados e habilitados para serem julgados. Este não é o ato desesperado de um pai amoroso que sofreu de um colapso mental, mas na maioria das vezes, foi um assassinato calculado. Na realidade, isso também mostra o estigma da doença mental, onde atribuímos homicídio a pessoas que “provavelmente têm problemas mentais”, mas não é. Na verdade, pessoas com problemas de saúde mental são, na maioria das vezes, vítimas de ataques, em vez de perpetradores.

Embora em alguns casos específicos, o filicídio possa ser devido a problemas de saúde mental, ou falta de opções e desespero, o pensamento automático da sociedade de que este é o caso sempre que a vítima tenha deficiencia é incrivelmente capacitista. Na verdade, este não é o caso mais comum. E se virmos um pai com problemas mentais matar seu filho sem deficiencia, eles receberão punição, em vez de compreensão. Portanto, há claramente um ponto aqui que é: a deficiência é pior do que a morte.

Se me disser, como ouvi antes, que “você não poderia entender como é”, eu, como uma pessoa com deficiência, direi, você não poderia tambem entender como é alguém dizer diretamente a si que “sua vida não tem tanto valor e eu entendo por que alguém o quisesse matar”.

A cada semana, uma pessoa com deficiência morre nas mãos dos seus cuidadores.
Se continuarmos a normalizar o assassinato de um grupo de pessoas, essas pessoas continuarão a ser assassinadas.
Isso não é uma misericórdia. Isso é assassinato.

Por todas as pessoas com deficiência cujas vidas foram diminuídas.

Site para relembrar pessoas com deficiencia

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