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Women's Rights

Walking home at night, as a disabled woman

As a woman with disabilities, I am very well aware of how dangerous is for me to be alone at night.

I shared my live location with friends/partner.

I called my partner while I am walking alone at night.

I wore a big jacket to hide any view of skin, even in summer.

I held my keys within my fingers.

I changed path if I saw someone in my way.

I had girlfriends asking me to text them when I get home, and I did the same to them.

Since I have a hearing disability, is not even that I can’t wear headphones, is that I can’t really hear someone approaching even if I don’t.

I ran.

If you say, catch an Uber, I did. I once got an Uber driver that asked me very inappropriate questions and kept pushing for a date, and I kept thinking he could just drive off. I reported him, but never felt safer again in an Uber.

As an autistic woman I am very well that I have a higher chance of sexual abuse or violence. As a hard of hearing woman, I am terrified of not hearing the steps of someone close to me at night, so I am hyper aware, which is exhausting and very debilitating.

40% of woman with disabilities were raped/sexual abused.

50% of deaf woman were raped/sexual abused.

73% of autistic woman were raped/sexual abused.

I am very aware that probabilities are against me.

Sarah Everard was going home at night, around 21 hours, which is not too late. She took a long way to ensure there was light. She called her boyfriend. A police officer took her, and ended her life.

This behaviours are not engrained in us to be safe. They are engrained to ensure YOU are not the one kidnapped/raped/murdered. Because this will happen to someone. And it’s clear now that this behaviours are not teached to make us safe, but to control our behaviour into not going out at night, not drink too much, not be too “asking for it”. Because independently of how much we try, women are still violated.

Enough.

Not all men do this, no. But enough of them do to impose this safety measures in every girl and woman.

So instead of trying to keep saying “Not all men”, let’s say “Not one more woman”.

For Sarah Everard, and for all the women that never got to come home.


Caminhar para casa à noite, como mulher com deficiência

Como uma mulher com deficiência, estou muito ciente de como é perigoso para mim andar sozinha à noite.

Compartilhei meu local ao vivo com amigos / parceiros.

Liguei para meu parceiro enquanto caminhava sozinha à noite.

Usei um casaco grande para esconder qualquer visão da pele, mesmo no verão.

Eu segurei as minhas chaves entre os dedos.

Mudei o caminho se visse alguém no meu caminho.

Tive amigas que me pediram para mandar mensagem quando chegasse em casa e fiz o mesmo com elas.

Como tenho uma deficiência auditiva, nem tenho a questão de se posso usar fones de ouvido, é que mesmo que não os use, não consigo ouvir alguém a se aproximar.

Eu corri.

Se disser, “chame um Uber”, eu tentei. Uma vez, recebi um motorista do Uber que me fez perguntas super inapropriadas e insistia em marcar um encontro, e fiquei a pensar que ele poderia simplesmente conduzir e eu desaparecia. Eu o denunciei, mas nunca me senti segura num Uber outra vez.

Como mulher autista, sei muito bem que tenho uma chance maior de sofrer abuso sexual ou violência. Como uma mulher com deficiência auditiva, tenho pavor de não ouvir os passos de alguém próximo a mim à noite, por isso estou hiperconsciente, o que é exaustivo e muito debilitante.

40% das mulheres com deficiência foram abusadas sexualmente.

50% das mulheres surdas foram abusadas sexualmente.

73% das mulheres autistas foram abusadas sexualmente.

Estou muito ciente de que as probabilidades estão contra mim.

Sarah Everard estava a caminhar para casa à noite, por volta das 21 horas, o que não é tarde demais. Ela percorreu um caminho mais longo para garantir que houvesse luz. Ela ligou para o namorado. Um policial a levou e terminou a sua vida.

Este comportamento não está enraizado em nós para estarmos seguras. Eles estão para garantir que NOS não seja o a mulher sequestrada/violada/assassinada. Porque isso vai acontecer com alguém. E está claro agora que esses comportamentos não são ensinados para nos deixar seguras, mas para controlar nosso comportamento de não sair à noite, não beber demais, não ficar “pedindo” demais. Porque, independentemente do quanto tentamos seguir estas regras para estarmos seguras, as mulheres continuam a ser violentadas.

Chega.

Nem todos os homens fazem isso, não. Mas um numero suficiente deles o fazem para impor essas medidas de segurança a todas as meninas e mulheres.

Então, em vez de continuar a dizer “Nem todos os homens”, digamos “Nem mais uma mulher”.

Por Sarah Everard, e por todas as mulheres que nunca chegaram a casa.

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