Categories
Autism

Ableism

Ableism

Ableism is the discrimination and social prejudice against people with some disability, whether chronic or mental illness, Autism, hearing problems , wheelchair use, etc. Ableism assumes that people with disabilities are “inferior” to those without disabilities, directly or indirectly.

Types of Ableism

1. Infantilizing adults: Do not treat autistic or disabled adults like children. To assume that we have a low intellect is prejudiced and wrong. Adult is adult, even if they actually have an intelect impairement.

2. Lack of accessibility: To not promote accessibility for everyone. It may be due to lack of ramps, interpreters, etc.

3. “Inspiration”: People with disabilities do not exist to make the world feel “inspired”. The only reason we have to overcome difficulties is because they do not design society to count with us, When someone is successful against “all odds”, it is because the odds are against us. It also implies that disabled people can’t be succesful, which is not true.

4.Language: The most obvious. Using illnesses/ disorders /disabilities or just differences as an insult reinforces that these people are so “unwanted” that they can be used as an insult. Do not use “r**arded”, “seems bipolar” or “so autistic”. Have common sense and humanity.

5. Minimizing disability: Saying “you don’t look autistic” is not a compliment, and thinking it is, is offensive, as it implies that being autistic is “unwanted” and it is better not to be. We all have different difficulties and people with disabilities have to get used to a society not designed for them. Be respectful.

6. Doubting a disability: many disabilities are invisible and have no face. Mental, and chronic ilnesses, Autism, hearing problems, are invisible. Don’t doubt a disability just because you don’t see it.

7. Lack of representation: Lack of representation is quite common in all disabilities. Mental illnesses to be used in horror movies, autistic people are “quirky” and cold, or to speak only of the “pain” of disability, not being representative. In general, the disabled person is used as a “token”, a secondary character, just to show integration, but rarely as a protagonist or representative of the community. The media also rarely calls autistic people to talk about their experiences, only giving the space to healthcare professionals or mothers of autistic people.

8. Feeling pity: Our difficulties are usually related to the lack of space in society for people like us and the lack of tolerance for our differences, not about who we are. We are no less than you, we are different.

9. To assume lack of ability: Just because we have a disability does not mean that we have no skills. Just because we are non-verbal does not mean that we are not intelligent. Just because we are autistic does not mean that we are bad mothers. Just we have a wheelchair does not mean that we are not independent. Even certain laws sometimes assume a lack of capacity in certain areas just because of a disability.

It is important to recognize the types of ableism in ourselves and others, and to prevent it from happening, for a more inclusive and representative society.

After all, 20% of society has some kind of disability, and this minority is the only one that anyone can join at any time in their life.

Remember that they are not just disabilities, they are different abilities.


Capacitismo

Capacitismo é a discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma incapacidade (não gosto de dizer deficiência, que implica um déficit), seja doença crónica ou mental, Autismo, problemas auditivos, uso de cadeira de rodas,etc.

O capacitismo pressupõe que pessoas com incapacidades são “inferiores” a quem não tem incapacidades.

Tipos de Capacitismo

1. Infantilização de adultos: Não trate adultos autistas ou com incapacidades como crianças. Assumir que temos baixo intelecto é preconceituoso e errado. Adulto é adulto.

2. Falta de acessibilidade: Não promover a acessibilidade de todos. Pode ser por falta de rampas, de intérpretes, etc.

3. “Inspiração”: Pessoas com incapacidades não existem para fazer o mundo se sentir “inspirado”. A única razão para termos que ultraassar dificuldades é por não desenharem a dociedade a contar connosco, Quando alguém é bem-sucedido contra “todas as probabilidades”, é porque as probabilidades estão contra nós.

4.Linguagem: O mais óbvio. Usar doenças/transtornos/incapacidades ou apenas diferenças como insulto reinforça que essas pessoas são tão “indesejadas” que podem ser usadas como insulto. Não use “r*tardado”, “parece bipolar” ou “que autista”. Tenha bom senso e humanidade.

5. Minimização da incapacidade: Dizer “não parece autista” não é um elogio, e pensar que é, já é ofensivo, pois implica que ser autista é algo “indesejado” e é melhor não se ser. Todos temos dificuldades diferentes e pessoas com incapacidades têm que se habituar a uma sociedade não desenhada para eles. Respeite.

6. Assumir que não têm incapacidade: muitas incapacidades são invisíveis e não têm cara. Doenças mentais, e crónicas, Autismo, problemas auditivos, são invisíveis. Não duvide de uma incapacidade só porque não a vê.

7. Falta de representação: A falta de representação é bastante comum em todas as incapacidades. Doenças mentais a serem usadas para filmes de terror, autistas são “quirky” e frios, ou falam apenas na “dor” da incapacidade, não sendo representativo. Em geral, o incapacitado é usado como “token”, uma personagem secundária, só para mostrar integração, mas raramente como protagonista ou representativo. A imprensatambém raramente chama pessoas autistas para falar sobre suas experiências, dando apenas espaço a profissionais de saúde ou mães de pessoas autistas.

8. Sentir pena: As nossas dificuldades normalmente estão relacionadas com a falta de espaço na sociedade para pessoas como nós e falta de tolerância para as nossas diferenças, não com quem somos. Nós não somos menos, somos diferentes.

9. Assumir falta de capacidade: Só porque temos uma incapacidade, não significa que não temos habilidades. Só por sermos não verbais, não significa que não somos inteligentes. Só por sermos autistas, não significa que somos más mães. Só por termos uma cadeira de rodas, não significa que não somos independentes. Até certas leis por vezes assumem falta de capacidade em certas áreas apenas por uma incapacidade.

É importante reconhecermos os tipos de capacitismo em nós e nos outros, e evitar que aconteça, para uma sociedade mais inclusiva e representativa.

Afinal, 20% da sociedade tem algum tipo de incapacidade, e esta minoria é a única que qualquer pessoa se pode juntar a qualquer momento da sua vida.

Lembre-se que não são apenas incapacidades, são diferentes capacidades.

Categories
Autism

Alexythimia: the difficulty in knowing what we feel

Alexithymia is the difficulty in distinguishing the emotions we feel, identifying bodily sensations from emotional states, as well as describing our feelings, using emotional terms, or reading and identifying what others feel. This means that we can have an emotional reaction and not know how to identify it (sadness, uncertainty, etc.) or how to describe it.

At least 50% of Autists are thought to have Alexithymia and it is behind the lack of empathy sometimes associated with Autism, which means is the alexythimia, not Autism, that cause that lack of empathy. In fact, many autistic people have hyper empathy.

If there is something very obvious to bother us about, we know why we are upset or sad, or we know whether we feel good or bad, but if what we feel is more subtle or less specific we can go days without understanding what we are feeling. We can even confuse feelings with bodily sensations like a headache. It is especially important when applied to relationships and can lead to abusive relationships or toxic friendships since if we do not know how to identify what others feel, or our own emotions, we can ignore uncertainty, discomfort or insecurity.

Through cognitive and supportive therapies, however, we can learn to identify emotions and describe how we feel.

However, it is very important to give the autistic people space to discover what they feel and if you see any discomfort, to help identify their emotions.

For more information check the article in this link.


Alexitimia é a dificuldade em distinguir as emoções que sentimos, identificar sensações corporais provenientes de estados emocionais, assim como descrever os nossos sentimentos, usar termos emotivos, ou ler e identificar o que os outros sentem. Isto significa que podemos ter uma reação emocional e não sabermos como a identificar (tristeza, incerteza,etc) nem como a descrever.

Pensa-se que pelo menos 50% dos Autistas tenham Alexitimia e que está por detrás da falta de empatia por vezes associada ao Autismo. É a alexitimia, não o Autismo, que causa falta de empatia. Na verdade, muitos autistas têm hiper empatia.

Se houver algo muito óbvio a incomodar-nos, sabemos porque ficamos chateados ou tristes, ou sabemos se nos sentimos bem ou mal, mas se o que sentirmos é mais subtil ou menos específico podemos ficar dias sem compreender o que estamos a sentir. Podemos até confundir sentimentos com sensações corporais como dor de cabeça. É especialmente importante quando aplicado a relações e pode levar a relacionamentos abusivos ou amizades tóxicas visto que se não sabemos identificar o que os outros sentem, ou as nossas próprias emoções, podemos ignorar incertezas, desconfortos ou insegurança.

Através de terapias cognitivas e de apoio, podemos no entanto aprender a identificar emoções e descrever o que sentimos.

É importantíssimo no entanto dar espaço ao autista para descobrir o que sente e se vir algum desconforto, ajudar na identificação das suas emoções.

Para mais informações veja o artigo neste link.

Categories
Autism

JPMorgan’s Autism at Work program

JPMorgan has implemented a protocol for the hiring of more Autistic people called JPMorgan’s Autism at Work program, 5 years ago and already has 180 autistic people working on 40 different roles.

“Our recruiters have been trained to understand that a person on the spectrum may not make eye contact, or could take longer to answer questions than other recruits,” says Pacilio. “We are trying to get beyond the idea that when we hire we are looking for people who are gregarious and outgoing and look you in the eye. Some people just want to get to the nuts and bolts of the interview.”

Why?

“We have also found that autistic people have an incredible approach to problem-solving. They are very granular and see things in completely different ways to neurotypical employees,”

“In one technology role the bank found that employees in the program could complete tasks in a queue between 90% and 140% more productively than neurotypical colleagues, and with zero errors.”

Check the news in this link.

It is important to know that every Autistic people has different levels of productivity, and we all have different amazing characteristics that we can bring to a job. This is an incredible example of integration, and hopefuly will spread to other companies.


A JPMorgan implementou um protocolo para a contratação de mais pessoas autistas, chamado Programa Autismo no Trabalho do JPMorgan, há 5 anos e já tem 180 pessoas autistas a trabalhar em 40 funções diferentes.

“Nossos recrutadores foram treinados para entender que uma pessoa no espectro pode não fazer contacto visual ou levar mais tempo para responder a perguntas do que outros recrutas”, diz o gestor do Programa Pacilio.

“Estamos a tentar ir além da ideia de que, quando contratamos, procuramos pessoas que são gregárias e extrovertidas e olham nos seus olhos. Algumas pessoas só querem falar dos detalhes da entrevista”.

Por quê contratar neurodivergentes?

“Também descobrimos que as pessoas autistas têm uma abordagem incrível para a solução de problemas. Elas são muito granulares e vêm as coisas de maneiras completamente diferentes dos funcionários neurotípicos”.

“Em uma função tecnológica, o banco descobriu que os funcionários do programa podiam concluir tarefas em linha entre 90% e 140% mais produtivamente do que os colegas neurotípicos, e com zero erros”.

Confira as notícias neste link.

É importante saber que todos os autistas têm diferentes níveis de produtividade e todos temos características diferentes que podemos trazer para um trabalho. Este é um exemplo incrível de integração e, que esperemos, se espalhará para outras empresas.

Categories
Autism

Masking in Autism

Masking or camouflage is when the autistic person observes and analyzes the behavior of others and imitates them, to hide difficulties in socialization.

It can be used by men and women, however, due to the dynamics and expectations of women in society, it is easier for them to mask and is one of the main diagnostic difficulties. However, camouflaging our features is tiring and can make it difficult to recognize versions of us that we built, and the real version, giving rise to a poorly defined “I”.

Our identity is important and the lack of it can affect the way we see ourselves and even cause mental problems. It is not a conscious choice, nor is it an attempt to be false or to manipulate.

It is a strategy to deal with the fact that we are different and for integration into society. We have to give space in society for autistic people to be who they are, without masking or having to apologize.


Mascaramento ou camuflagem, é quando o autista observa e analisa o comportamento dos outros e os imita, para esconder dificuldades de socialização.

Pode ser usado por homens e mulheres, no entanto, devido à dinâmica e expectativas da mulher na sociedade, é-lhes mais fácil mascarar e é uma das principais dificuldades de diagnóstico.

No entanto, camuflar os nossos traços é cansativo e pode fazer com que seja difícil reconhecermos versões de nós construídas, e a versão real, originando um “eu” pouco definido. A nossa identidade é importante e a falta dela pode afectar a forma como nos vemos e até causar problemas mentais.

Não é uma escolha consciente, nem uma tentativa de sermos falsos ou manipular. É uma estratégia para lidar com o facto de sermos diferentes e para a integração na sociedade.

Temos que dar espaço na sociedade para autistas serem quem são, sem mascaramento ou ter que pedir desculpa.

Categories
Autism

I Suspect I am Autistic. What now?

If you have read the typical features of Autism and identified yourself in many of them … What now?

1. Take the Autism test to get a better idea of ​​the characteristics and to validate your suspicions. You can do it by following this link – The Ritvo Autism Asperger Diagnostic Scale-Revised (RAADS-R) or The Autism Spectrum Quotient (AQ). If you think your child might be autistic, check the video in this link.

2. If the test gave an average similar to those with autism, start reading about the traits’ particularities, in children (you can check the video in the point 1), adolescents and adults, as the traits vary in intensity and type according to age.

3. Join online groups of autistic people on Facebook and follow autistic people on social networks (you can find autistic voices online through the tag #actuallyautistic. Ask questions. Sometimes we have traits that we didn’t even know, because we thought that everybody felt that way. If the autistic person is your child, ask adult autistic people questions about when they were children. It is a very important resource since we sometimes have similar difficulties that we have already learned in how to deal with.

4. Make a list of these characteristics. Try to use specific personal experiences, for example, “when I was a child I opened Christmas presents but never played with them after”.

5. Look for a specialist specific to your case. If you are a woman or adult, look for someone with experience in assessing these cases. Unfortunately, some psychologists may have had only an introduction to Autism and without experience they may misdiagnose with mental illnesses, such as generalized anxiety or depression.

6. Continue to explore who you are. Many of us have spent years feeling that we are not enough, for comparing ourselves to neurotypicals but being different. The autistic brain is too beautiful and complex to restrict ourselves from trying to be like others.

Any questions you have about steps to take, or even about Autism in general, please ask. In the comments or private message (in @autismoemportugues) if you prefer.


Se leu os traços típicos do Autismo e se identificou em muitos deles…
E agora?

1. Faça o teste do Autismo para ter melhor ideia das características e para validar as suas suspeitas. Podem fazer seguindo este link – The Ritvo Autism Asperger Diagnostic Scale-Revised (RAADS-R) ou O Quociente do Espectro do Autismo (teste AQ). Se acha que o seu filho/a pode ser autista, vejoa o vídeo neste link (infelizmente, só em inglês).

2. Se o teste deu uma média semelhante a autistas, comece a ler sobre as particularidades dos traços, em criança (pode ver o vídeo do ponto 1), adolescente e adulto, visto que os traços variam em intensidade e tipo consoante a idade.

3. Junte-se a grupos online de autistas no Facebook e siga autistas nas redes sociais (pode encontrar vozes autistas online através de #actuallyautistic ). Faça perguntas. Por vezes temos traços que nem sabíamos ter, por pensarmos que toda a gente se sentia dessa forma. Se o autista for o seu filho/a, faça perguntas a autistas adultos sobre quando eles eram crianças. É um recurso importantíssimo visto que por vezes temos dificuldades semelhantes que já aprendemos em como lidar.

4. Faça uma lista dessas características. Tente usar experiências específicas pessoais, por exemplo, “quando eu era criança abria os presentes de Natal mas nunca brincava com eles a seguir”.

5. Procure um especialista específico para o seu caso. Se for mulher ou adulto, procure alguém com experiência na área. Infelizmente alguns psicólogos podem ter tido apenas uma introdução ao Autismo e sem experiência podem diagnosticar erradamente doenças mentais, como ansiedade generalizada ou depressão.

6. Continue a explorar quem é. Muitos de nós passámos anos a sentir que não somos o suficiente, por nos compararmos a neurotípicos mas sermos diferentes. O cérebro autista é bonito e complexo demais para nos restringirmos a tentar ser como os outros.

Alguma questão que tenham sobre passos a seguir, ou mesmo sobre o Autismo em geral, por favor perguntem. Nos comentários ou mensagem privada (em @autismoemportugues) se preferirem.

💕

Categories
Autism

Stimming

Stimming are repetitive self-stimulation behaviors and can be: shaking hands, touching hair, shaking the body, biting the inside of the lip, spinning, singing, etc.

Everyone has some of these behaviors, especially in children or when we are stressed, but Autistic people tend to do it more often and while after adults.

Although their purpose is not yet known, the autistic community says it helps them to calm anxiety, generate awareness of their own bodies, to focus on or deal with external stimuli, such as sensations and emotions that they have difficulty processing.

In general, they are movements for regulation, emotional and sensory management and extremely important for autistic people. Some therapies try to remove stimming from autistic people through punishment, which can lead to trauma. Unless Stimming hurts the autistic or others (in which case it can be managed and redirected to a non-harmful one), it is essential for regulating ourselves.


Stimming são comportamentos repetitivos de auto-estimulação e podem ser: abanar as mãos, mexer no cabelo, balançar o corpo, morder o interior do lábio, rodopiar, cantar, etc.

Todos temos alguns destes comportamentos, principalmente em crianças ou quando temos stress, mas autistas tendem a os fazer mais frequentemente e em adultos.

Apesar de ainda não se saber exactamente o seu propósito, a comunidade autista diz que os ajuda a acalmar a ansiedade, gerar consciência do próprio corpo, a focarem-se ou a lidar com estímulos externos, como sensações e emoções que têm dificuldade em processar.

Em geral, são movimentos para a regulação e gestão emocional e sensorial e extremamente importantes para os autistas.
Algumas terapias tentam retirar o stimming dos autistas através de punições, o que pode levar a trauma.
A não ser que o Stimming magoe o autista ou aos outros (e nesse caso pode ser gerido e redireccionado para um não nocivo), é essencial para a regulação de nós próprios.

Categories
Autism Conversations

Actually Autistic Meme thread

#actuallyautistic Memes Day! (actuallyautistic is a community online to give visibility to autistic voices) Nothing tells us we can’t fight for acceptance AND have fun.

Brief explanation: Auditory processing disorder is a hearing disorder where we have trouble processing speech.

x

Brief explanation: in general Autistic people don’t want a “cure” to push on us. Autism is part of who we are. We want support and understanding. 


Dia para memes #ActuallyAutistic (comunidade para partilha de vozes autistas)

Nada nos diz que não podemos lutar por aceitação E divertirmos-nos.

Como talvez saiba o nosso Instagram é em inglês, mas para haver uma plataforma portuguesa de um Autista para Autista decidi criar o @autismoemportugues no Instagram. Irei lá colocar memes, informação e dados.

Breve explicação: Desordem de processamento auditivo é quando temos dificuldade em processar discurso, a fala
Em geral os autistas não querem uma cura a ser empurrada para eles, queremos aceitação e apoio. O Autismo faz parte de quem somos.
Categories
Autism Conversations

Could I be Autistic?

If you have all of the following difficulties:

  1. Social-emotional reciprocity

This is the capacity to begin conversation with other people, keep a conversation flow and interact socially. Difficulties in this area is one the most common in Autism. You could have: difficulty in beginning or entering a group conversation, knowing when is your time to talk, interrupt others or leaving pauses in the conversation, difficulty in looking excited over other people’s good news (this does not mean you are not happy for them), not enjoying social occasions as much as other people, hating chit-chat, and others.

2. Non-verbal communication in social interaction

This means that you have difficulty in understanding, decoding and replicating body language, eye contact, facial expression, gestures. You may have an atypical body language, difficulty in looking someone in the eyes or looking too much, in coordinating body language with speech, inappropriate facial expressions for the situation, difficulty in recognizing sarcasm, and imitation of other people’s non verbal cues.

3. Developing and creating relationships

You may find it difficult to develop new relationships and keep old ones. This obviously doens’t mean we don’t want friends, but it means we have difficulty in understanding the social norms around relationships. You may have difficulties in judging what people think of you, prefering solo activities or interaction with one person instead of a group, having less necessity of social interaction, prefering one-on-one conversations instead of group, losing friends without understanding why, not reaching someone else’s expectactions of sensitivity, imagining possible or past conversations in your head and responding to someone else’s experiences with our own. Above all have in mind we do want relationships, but we need a little bit of tolerance and understanding from neurotypicals since we have different ways to connect.

And you have at least 2 of the following:

  1. Stimming

Stimming is the self-stimulatory behaviour and everyone has it as a child. Stimming in Autism however, persists throughout life and it is constant, since we need to process more of the environment around us. It serves to process emotional and external input, and it looks like repetitive speech, movement or use of objects. It can be hand-flapping, jumping, singing, biting, twirling the hair,etc.

2. Strict routines and resistance to change

Sometimes autistic people do have routines changed, or even changing country, but they are in control of the change. This is pertinent to when suddenly they are invited to a social occasion when not expected, or they can’t spend the time on their special interest as they wanted to.

3. Different intensity and focus in specific interests

Special interests are incredibly important in Autism. Everyone has interests, but autistic people spend hours on them, sometimes forgetting to eat or go to the toilet. They can be trains, politics, feminism, books, or something specific as a particular behavour in bugs. Historically, therapies used to limit special interests and use them as reward for neurotypical behaviors. That is horrifying. Pokemon was created by Satoshi Tajiri after his obcession with collection bugs. Greta Thunberg use her passion for the world to fight climate change as one of the biggest activits worldwide. Special interests can be turned to sucessful careers, and they are one of our many superpowers.

4. Hyper or hypo sensitivity to sensory input

Autistic brains tend to absorbe a high ammount of input, sometimes having trouble to process all of it. This may be to sound, light, touch, taste, pain, or any sensory experience. It can be preference for certain fabric textures while others you can’t tolerate, taking the tags out of the clothes, finding self-care (as hair-cut) uncomfortable, unussually sensitive to light or noise, difficulty in following conversations with background noise, not being able to eat certain foods and constantly eating the same thing, physically ill (headaches for example) with specific smells, search for deep pressure like heavy blankets, high tolerance for pain, etc.

Traits (NOT symptoms) began in early childhood, with the first set of traits persisting over time, and the last one can be variable over age. Social anxiety is also very common and pervasive throughout life, as might be ADHD, ADD, OCD, eating disorders and other mental health issues.

Please keep in mind that every autistic person is different and may have variable levels of these traits, or even not having some.


Podes ser autista se ..

Se tiver todas as seguintes dificuldades:

  1. Reciprocidade socio-emocional

Esta é a capacidade de iniciar uma conversa com outras pessoas, manter o fluxo de conversa e interagir socialmente. Dificuldades nessa área são das mais comuns no autismo. Pode ter: dificuldade em iniciar ou entrar em uma conversa em grupo, saber quando é a sua hora de falar, interromper outras pessoas ou deixar pausas na conversa, dificuldade em parecer entusiasmado com as boas notícias de outras pessoas (isso não significa que não estamos feliz por elas), não gostando de ocasiões sociais tanto quanto outras pessoas, odiando conversas fofoquices, entre outros.

2. Comunicação não verbal em interacção social

Isso significa que tem dificuldade em entender, descodificar e replicar a linguagem corporal, o contacto visual, a expressão facial, os gestos, etc. Pode ter uma linguagem corporal atípica, dificuldade em olhar alguém nos olhos ou em demasia, em coordenar a linguagem corporal com a fala, expressões faciais inadequadas para a situação, dificuldade em reconhecer o sarcasmo e imitar as dicas não verbais de outras pessoas.

3. Intensidade e foco diferentes em interesses específicos

Interesses especiais são incrivelmente importantes no autismo. Todo mundo tem interesses, mas as pessoas autistas passam horas com eles, às vezes esquecendo de comer ou ir à casa de banho. Eles podem ser sobre comboios, política, feminismo, livros ou algo específico como um comportamento específico de um insecto. Historicamente, as terapias costumavam limitar interesses especiais e usá-los como recompensa por comportamentos neurotípicos. Isso é horrível. Pokemon foi criado por Satoshi Tajiri após sua obsessão por coleccionar insectos. Greta Thunberg usa sua paixão pelo mundo para combater as alterações climáticas como uma das maiores activistas do mundo. Interesses especiais podem originar carreiras de sucesso e é uma dos muitos super-poderes do autismo.

4. Hiper ou hipo-sensibilidade a experiência sensorial

Os cérebros autistas tendem a absorver uma grande quantidade de sensações, às vezes tendo problemas para processar tudo ao mesmo tempo. Pode ser som, luz, toque, paladar, dor ou qualquer experiência sensorial. Pode ser a preferência por certas texturas de tecido, enquanto outras que não tolera, tirar as etiquetas da roupa, achar desconfortável o auto-cuidado (como cortar o cabelo), sensível à luz ou ao barulho, dificuldade em seguir conversas com ruído de fundo , não sendo capaz de comer certos alimentos e comer constantemente a mesma coisa, ficar fisicamente doente (dores de cabeça, por exemplo) com cheiros específicos, procurar uma pressão profunda como cobertores pesados, alta tolerância à dor, etc.

As características (NÃO sintomas) começaram na primeira infância, com o primeiro conjunto de características persistindo ao longo do tempo e o último pode ser variável com a idade. A ansiedade social também é muito comum e difundida ao longo da vida, como podem ser ADHD, ADD, TOC, distúrbios alimentares e outros problemas de saúde mental.

Por favor, tenha em consideração que todos os autistas são diferentes e podem ter diferentes níveis destes traços, ou mesmo não ter alguns deles.

Categories
Autism Conversations

What does Autism looks like?

I know it is not Autism Awareness month, but I had some requests and questions around what Autism is and looks like, so I decided to do a summary on it.

What does Autism looks like?

First of all, we are in a spectrum, so function depends on the person. If you met one autistic person, you met only one, and we all struggle in different ways. No one “looks autistic”, we just are.

Social Skills

Comic by Super Spectrum Girl

• Anxiety about social situations, to the point of cancelling events,

• Difficulty in making friends or preferring to be alone ,

• Seek time alone after social engagements “Social hangover”

•Not understanding social cues, such as facial expressions or body language

• Strict daily routine.

Communication Skills

Comic by Theresa Scovil

• Not looking people in the eyes, or looking too much

• Finding it hard to express how we feel

• Taking things very literally (for example, not understand sarcasm or jokes),

• Difficulty to understand what others are thinking or feeling,

• Difficulty in hearing a conversation (processing delays).

• Conversation topics tend to be their special interests, like trains, animals, books.

Stimming

Comic from 21andsensory

It means self-stimulating behavior, and it can be flapping hands, rocking, twisting hair, rubbing ears, doodling, singing, fidgeting, etc.. Stimming is not for you to diminish because you feel uncomfortable, it helps us process sensory input and emotions, even good ones, and control a meltdown/shutdown (except if it causes physical harm).

Masking

Comic by Theresa Scovil

The reason not as many women are diagnosed, we mask it well. We learn to copy neurotypical’s social cues, body language, expressions and tone until it looks like we do it naturally. It takes an immense amount of effort, and it is exhausting. This does not mean we are “fake”, since we have a lot of feelings and empathy. It just means society considers weird the lack of output of information from our body, so we need to learn it to try to connect.

Note: try to notice every social cue in your next interaction and conscientiously acknowledge it and you will find out why.

Sensory issues

Comic from AspiGurl

Over or under-sensitivity to sounds, touch, tastes, smells, light, colors, temperatures or pain what can lead to meltdowns or shutdowns. It is not a fit, or a spoiled kid reaction, is a shutdown of cognitive functions due to an overload of information input, in another words, the brain can’t process all the extra information.

Example: Loud sounds and bright lights are painful. I can’t eat food with certain textures or tastes (it is not picky-eating, is food aversion).

Shutdowns

Comic from Introvertdoodles

Ao que é o Autismo se parece?


Primeiro de tudo, estamos num espectro, e a funcionalidade depende da pessoa. Se conheceste uma pessoa autista, apenas conheceste uma, e todos temos dificuldades diferentes. Ninguém “parece autista”, apenas somos.

Habilidades sociais

Comic by Super Spectrum Girl


• Ansiedade por situações sociais, a ponto de cancelar eventos

• Dificuldade em fazer amigos ou preferir ficar sozinho

• Procura tempo sozinho após compromissos sociais: “Ressaca social”

• Não entende dicas sociais, como expressões faciais ou linguagem corporal

• Rotina diária estrita.

Dificuldades na comunicação

Image.jpeg
Banda desenhada de Theresa Scovil

• Não olhar as pessoas nos olhos ou olhar demais

• Achar difícil expressar como nos sentimos

• Encarar as coisas de maneira muito literal (por exemplo, não entender sarcasmo ou piadas),

• Dificuldade para entender o que os outros estão a pensar ou a sentir,

• Dificuldade em acompanhar uma conversa (atrasos no processamento cognitivo).

Stimming

This image has an empty alt attribute; its file name is image-14.png
Comic from 21andsensory

Significa comportamento auto-estimulante, e pode ser bater as mãos, balançar, mexer no cabelo, esfregar as orelhas, rabiscar, cantar, remexer-se, etc. Stimming não deve ser diminuído porque outras pessoas se sentem desconfortável, porque ajuda-nos a processar informações sensoriais e emoções, mesmo as boas, e controlam um colapso / desligamento (excepto se causar danos físicos).

Mascaramento

Banda desenhada de Theresa Scovil

O motivo pelo qual muitas mulheres não são diagnosticadas, mascaramos bem. Aprendemos a copiar as dicas sociais, a linguagem corporal, as expressões e o tom dos neurotípicos até que pareça que o fazemos naturalmente. É preciso uma quantidade imensa de esforço e é exaustivo. Isso não significa que somos “falsos”, pois temos muitos sentimentos e empatia. Significa apenas que a sociedade considera estranha a falta de produção de informações externas do nosso corpo, e por isso precisamos aprender isso para podermos-nos conectar. Nota: tenta perceber todas as sugestões sociais na tua próxima interacção e conscientemente reconhecê-las e descobrirás o porquê.

Problemas sensoriais

This image has an empty alt attribute; its file name is image-10.png
Banda desenhada de Aspigurl

Sensibilidade excessiva ou insuficiente a sons, toques, gostos, cheiros, luz, cores, temperaturas ou dores, o que pode levar a meltdownsou shutdowns. Não é uma birra, ou uma reacção infantil mimada, é um desligamento das funções cognitivas devido a uma sobrecarga da entrada de informações no cérebro. Em outras palavras, o cérebro não pode processar toda a informação extra e tenta desligar a introdução de mais informação.
Exemplo: sons altos e luzes brilhantes são dolorosos. Não poder comer comidas com certas texturas ou gostos (não é exigente, é aversão a comida).

Banda desenhada de IntrovertDoodles
Categories
Autism Conversations LGBTQ

Happy Autistic Pride Day!

Text in English (Vê a versão em Português abaixo)

According to several studies, more people with Autism, specially women, reported sexual attraction to same- and opposite-sex partners, than general population.

In one of the studies, 69.7% of Autistic people said to be non-heterosexual, while in the control group only 30.3% did (Sexual Orientation in autism spectrum disorder, 2018, George R. Stokes A.).

A lot of Autistic people feel like their sexuality, as their brain, is in a spectrum. Gender is another component that there is more fluidity in the Autistic community. We tend to not receive societal expectations as is the idea of gender and attraction, as natural as the general population. If we question the assumption from neurotypicals that looking in the eye is a sign of listening, then it is only natural that we question our own sexuality and attraction.

We still don’t know exactly why this two communities cross this much, but there is some pre-European societies who embraced this fluidity.

All Native American tribes, when the European first contacted them, had the Two Spirit tradition, and aknowledged 2 to 5 gender roles within the tribe. The Two Spirit tradition say we all have two spirits inside us, female and male, and one heart. Any member of the tribe could transition between genders, and there was no moral gradient for both gender and sexuality. A child path should not be interfered by the parents, normally tending them as gender-neutral. A person that could see the world from both genders point -of-view, had a gift, and it was lucky. It was also a sign of high intelligence, due to the link with self-questioning and instrospection. The tradition was quickly destroyed by the Spanish monks.

Maybe Autistic people are more in the LGBTQ community for their quest of constant self-discovery, in their attempt to navigate a society that sometimes it doesn’t feel theirs. In my opinion, is the general population that lost their Two Spirits, and became poorer for it.

To all Autistic with Two Spirits and a lot of love to give,

Happy Autistic Pride Day!!!


Texto em Português

Segundo vários estudos, mais pessoas com autismo, especialmente mulheres, relataram atracção sexual por parceiros do mesmo sexo e do sexo oposto do que a população em geral.

Em um dos estudos, 69,7% do grupo de pessoas autistas disseram não ser heterossexuais, enquanto que no grupo de controle apenas 30,3% o fizeram (Orientação Sexual no transtorno do espectro do autismo, 2018 George R. Stokes A.).

No Autismo, por vezes sente-se que sua sexualidade, como o seu cérebro, está num espectro. Também tendemos a não receber expectativas da sociedade, como é a ideia de género e atracção, tão naturalmente quanto a população em geral. Se questionamos a suposição dos neurotípicos de que olhar nos olhos é um sinal de escutar, então é natural que questionemos nossa própria sexualidade e atração.

Ainda não sabemos exactamente por que estas duas comunidades se cruzam tanto, mas há algumas sociedades pré-europeias que adotaram essa fluidez.

Todas as tribos Nativas Americanas, quando os Europeus os contactaram pela primeira vez, tinham a tradição dos Dois Espíritos e reconheciam de 2 a 5 papéis de género na tribo. A tradição dos Dois Espíritos diz que todos temos dois espíritos dentro de nós, um feminino e um masculino, e um coração. Qualquer membro da tribo poderia fazer a transição entre os sexos, e não havia gradiente moral para género ou sexualidade. O caminho da criança não deve ser interferido pelos pais, normalmente criando-os como género neutro. Uma pessoa que podia ver o mundo de ambos os sexos, tinha um Dom, e teve sorte. Era também um sinal de alta inteligência, devido ao vínculo com o auto-questionamento e a introspecção. Esta tradição foi rapidamente destruída pelos monges espanhóis, por acharem ser heresia.

Talvez as pessoas autistas estejam mais incluídos na comunidade LGBTQ, devido à sua constante busca de auto-descoberta, na tentativa de navegar em uma sociedade que às vezes não sentem ser deles. Na minha opinião, é a população em geral que perdeu seus Dois Espíritos e ficou mais pobre por isso.

Para todos os Autistas com Dois Espíritos e com muito amor para dar,

Feliz Dia do Orgulho Autista !!!