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Autism

Autism and vulnerability to Abuse

With the case of Mariana Ferrer, there was a huge outcry from women all over the Portuguese speaking countries. The reason is because although it happened on Brazil, there are several other countries where this still happens. The reason we, autistic women, were so triggered by this event is, most likely, we were somehow in the some place as she was.

A study show that women with more autistic traits, are more likely so suffer abuse or pressure for sexual contact, or PTSD:

“Women in the highest versus lowest quintile of autistic traits were more likely to have been sexually abused (40.1% versus 26.7%), physically/emotionally abused (23.9% versus 14.3%), mugged (17.1% versus 10.1%), pressured into sexual contact (25.4% versus 15.6%) and have high PTSD symptoms (10.7% versus 4.5%)”

Another study found that autistic women had nearly 3 times the odds of having experienced sexual abuse than non-autistic women:

“The researchers found that the women who screened positive for autism had nearly three times the odds of having experienced sexual abuse as those who did not screen positive; those who screened positive for ADHD doubled their odds of sexual abuse.”

I reflected on what exactly what exactly makes more vulnerable (NOT weak) to abuse than the average women.

  1. The honeymoon phase: most of us was exposed to a lot of bullying as a child or isolation. Abusive men tend to start by love-bombing women, which can be very appealing for a woman that felt quite alone, specially if it is a teenager, and that relationship gives her access to a group of friends.
  2. If we have Alexythimia, we might not be aware of when we feel uncomfortable or uncertain. Intuition might not come easy for us, and even when we feel something off, we might not be aware we do. This makes us vulnerable to dangerous situations.
  3. We tend to not read social cues as well as non-autistic people. The “red flags” that you normally see in abusive relationships might pass us by much more, and only realize too late that a specific situation is not normal.
  4. We suffered invalidation through our whole life. We are much more likely to accept by face value what other people say it is normal for relationships and social situations, since we most likely spent our life with people telling us how weird and abnormal we were. This makes us doubt ourselves and our perception a lot more, which make us vulnerable to what an abusive man says it is normal and loving.
  5. Some therapies (again, very specific “conversion” therapies) were designed to make autistic people submissive. If we spent our childhood with adults saying: Do as I told you, and seeing this as a normal healthy relationship, we might continue this into adulthood.

All autistic people, not just women, are more vulnerable to abuse, being sexual, physical or emotional. We need to be aware of that and protect our children. We need to teach autistic children that they are allowed to say NO. They are allowed to refuse a kiss if they don’t feel comfortable, they are allowed to refuse touch from a stranger. Teaching them otherwise is not teaching them how to be polite, it is teaching them that the comfort of other people is more important than their own, and that is dangerous.

As a parent, be aware of this. You will not always be able to protect your child, even if you are perfect, but teaching your child that they are allowed to put barriers for their comfort might teach them how important their own feelings are.

For autistic people that went throught these:

You are seen, and you are not alone. You are loved. We might be grieving with how Mariana was treated, and that’s ok. Take your time.

But then stand up for neurodiverse people that suffered abuse or was in an abusive relationship. Stand up for all the Marianas and Marielles. Stand up for women next to you, or very far away. We are in this together. And together, we might as well change the world.


Autismo e vulnerabilidade a abuso

Com o caso de Mariana Ferrer, houve um grande clamor de mulheres em todos os países de língua portuguesa. A razão é porque embora tenha acontecido no Brasil, existem vários outros países onde isso ainda acontece. A razão pela qual nós, mulheres autistas, fomos tão afectadas por este evento é, provavelmente, porque estivamos de alguma forma num lugar como ela.

Um estudo mostra que mulheres com traços mais autistas, são mais propensas a sofrer abuso ou pressão para contato sexual ou Stress Pos-traumatico:

“Mulheres no quintil mais alto versus mais baixo de traços autistas tinham maior probabilidade de ter sido abusadas sexualmente (40,1% versus 26,7%), abusadas fisicamente/emocionalmente (23,9% versus 14,3% %), assaltada (17,1% versus 10,1%), pressionada para contato sexual (25,4% versus 15,6%) e com sintomas elevados de PTSD (10,7% versus 4,5%) “

Outro estudo descobriu que mulheres autistas tinham quase 3 vezes mais chances de sofrer abuso sexual do que mulheres não autistas:

“Os pesquisadores descobriram que as mulheres com resultado positivo para autismo tinham quase três vezes mais chances de ter sofrido abuso sexual do que aquelas que não tiveram resultado positivo; aquelas com teste positivo para O TDAH dobrou suas chances de abuso sexual. “

Eu refleti sobre o que exatamente nos torna mais vulnerável (NÃO fracas) ao abuso do que as mulheres nao neurodiversas.

  1. A fase da lua de mel: a maioria de nós foi exposta a muito bullying quando criança ou a isolamento. Relações abusivas tendem a começar com “love-bombing”, onde bombardeam a mulher com imenso amor e carinho, o que pode ser muito atraente para uma mulher que se sente completamente sozinha, especialmente se for uma adolescente, e esse relacionamento dá a ela acesso a um grupo de amigos.
  2. Se tivermos alexitimia, podemos não saber quando nos sentimos desconfortáveis ​​ou inseguras. A intuição pode não ser fácil para nós e, mesmo quando sentimos que algo estranho, podemos não estar cientes disso. Isso nos torna vulneráveis ​​a situações perigosas.
  3. Tendemos a ter dificuldades em ler dicas sociais tão bem quanto pessoas não autistas. As “bandeiras vermelhas” que normalmente se vê em relacionamentos abusivos podem passar despercebidas por nós, e só perceber tarde demais que uma situação específica não é normal.
  4. Sofremos invalidação durante toda a nossa vida. É muito mais provável que aceitemos o que outras pessoas dizem que é normal para relacionamentos e situações sociais, uma vez que provavelmente passamos a nossa vida com pessoas a nos dizerem como éramos estranhos e anormais. Isso faz-nos duvidar muito mais de nós mesmos e de nossa percepção, o que nos torna vulneráveis ​​a que um homem abusivo diz que é normal e sinal de amor.
  5. Algumas terapias (novamente, terapias de “conversão” muito específicas) foram projetadas para tornar as pessoas autistas submissas. Se passássemos nossa infância com adultos a dizer: “Faça o que eu disse” e vemos isso como um relacionamento normal e saudável, podemos continuar assim na vida adulta.

As pessoas autistas, não apenas as mulheres, são mais vulneráveis ​​a abusos, sejam sexuais, físicos ou emocionais. Precisamos estar cientes disso e os proteger e evitar ensinar aos autistas que tem que obedecer. Precisamos ensinar às crianças autistas que elas podem dizer NÃO. Eles estão autorizados a recusar um beijo se não se sentirem confortáveis, eles estão autorizados a recusar o toque de um estranho. Ensiná-los de outra forma não é ensiná-los a ser educados, é ensiná-los que o conforto das outras pessoas é mais importante do que o deles, e isso é perigoso.

Como pai, esteja ciente disso. Nem sempre será capaz de proteger os seus filhos, mesmo se for perfeito, mas ensiná-lo/a que eles podem colocar barreiras para garantir o seu conforto pode ensiná-los o quão importantes são os seus sentimentos.

Para pessoas autistas que passaram por isto:

Saibe que não está sozinho/a. Você é amado/a e está seguro/a. Podemos estar a sofrer com a forma como a Mariana foi tratada, e tudo bem. Não tenha pressa.

Mas quando ficar bem, defenda as pessoas neurodiversas que sofreram abuso ou estiveram num relacionamento abusivo. Levante-se por todas as Marianas e Marielles. Defenda as mulheres ao seu lado ou muito distantes. Estamos juntas nisto. E juntas, podemos muito bem mudar o mundo.

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Women's Rights

COVID-19 Lockdown and Domestic violence

Data from Refuge

Since lockdown, domestic violence reports peaked in several countries. Obviously, lockdown didn’t caused the abuse, just exacebated it. Women are locked in a house with their abuser. With the pandemic, came money/job insecurities, health fears, reduced support and an increase of the amount of time women spend inside their home and away from other people.

According to World Health Organization, domestic violence reports might’ve increased until 60% in European countries.

A very disturbing statistic that UNWomen also provided is that before the pandemic less than 40% of women that experienced violence actually reported it or sought help. Less than 10% of women go to the Police for help. This statistics don’t come lightly. Women sometimes are stuck in financial dependance or the abuser uses their children as leverage. Also, we now have better support networks, but not long ago, if a women was going to the Police, they would just return her to her abuser. Although we have now incredible organizations in most countries, Governments need to do better to protect women. These numbers show clearly that we are still not doing enough.

If you or anyone you know is suffering through domestic violence, please visit https://www.nationaldahelpline.org.uk/ or call 0808 2000 247 (free phone call).


Texto em Português

A organização britânica Refuge registou um aumento de 66% nas chamadas para a Linha de Atendimento Nacional ao Abuso Doméstico e um aumento de 950% nas visitas ao site desde o início do confinamento.

Desde o início do confinamento, as denúncias de violência doméstica atingiram um pico em vários países. Obviamente, o confinamento não causou o abuso, apenas o exacerbou. Mulheres estão trancadas em casa com seu agressor. Com a pandemia, surgiram inseguranças com dinheiro/emprego, medos pela saúde, apoio reduzido e aumento da quantidade de tempo que as mulheres passam dentro de casa e longe de outras pessoas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, denúncias de Violência doméstica podem ter aumentado até 60% em países europeus.

Uma estatística muito perturbadora que a UNWomen também forneceu é que, antes da pandemia, menos de 40% das mulheres que sofriam violência realmente a relataram ou procuraram ajuda. Menos de 10% das mulheres vão à polícia em busca de ajuda. Esta estatística não vem de ânimo leve. Muitas mulheres ficam presas em dependência financeira ou o agressor usa seus filhos como ameaça. Para além disso, agora temos melhores redes de apoio, mas não faz muito tempo, se uma mulher fosse à Polícia, eles simplesmente a levavam de volta ao agressor. Embora agora tenhamos organizações incríveis na maioria dos países, os Governos claramente precisam fazer mais para as proteger. Estes números mostram que ainda não fazemos o suficiente.

Se você ou alguém que conhece sofre violência doméstica, visite https://apav.pt/ ou ligue para a 800 202 148 (grátis).

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LGBTQ

LGBTQ and Immigration in the US

Data from Human Rights Campaign

The cages are still there, with an added Pandemic.


Dados de Human Rights Campaign. Nos EUA, pessoas LGBTQ são 97 vezes maior probabilidade de denunciar abuso sexual enquanto estão em Detenção de Imigração.

As jaulas ainda estão lá, com uma Pandemia adicionada.