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Pandemic, lockdown and their impact in autistic people

Someone asked me this week what I advise for the pandemic, since their child was getting more aggressive with the pandemic, and they didn’t knew exactly how to help them. In my experience there are several things that changed that bother me, and hope something of it might help. Just be aware that every autistic people is different, and I am talking out of my experience, and circunstances and reasons might be different.

It has been less than a year that the pandemic and lockdowns started, but it feels like a lifetime. When it started, I quite enjoyed the staying at home, isolated situation, and still today I enjoy some parts of it, like not having to touch people, and working from home (that has been a lifesaving measure for me).

However a couple of months into it I noticed I became restless, slightly depressed and with higher levels of anxiety. To be honest, since I have alextythimia it is very difficult for me to actually understand what I am feeling, and even worse to communicate it, and change something for the better, so for a while I thought it was just stress from the pandemic.

However something changed one day, when my partner said: “Something is up with you. Let’s go to a nature reserve. I think it will be good for you”. My first instinct was that would probably just stress me out even more, since I have been nervous to get sick if I go outside. One of my special interests are animals, so I thought, why not take my camera and take some pictures of animals.

It completely changed the way I felt. The fact I was outside engaging in one of my special interests, animals and photography, getting some sun, made me less stressed and feeling more like myself. I still do not know exactly what, why and how I felt, but I now know that going outside, even if I feel like I just want to stay home, and do a special interest it is very helpful, and have been doing it regularly.

Even if we like our own space, it is important to go outside, and develop their special interests in a way that they can get some sun and use their energy. Nature reserves are still open, away from people, and safe to walk and if their special interest is something else, you can also play some games related with them outside.

Second is related with social issues. I got more nervous and anxious with social ettiquete and communication since masks really throw me off. Masks are absolutely important but I do have auditory processing difficulties, which make it extremely difficult with a normal mask to understand people, and the lack of seeing their lips and face makes it more difficult to understand social cues (although I was not good reading them even when I could see them). This makes me uncomfortable and the best way to go around this is masks for hearing impairment and vocalize social cues, meaning, saying directly the “hidden” social issues, for example saying you are being sarcastic, saying directly what you need or think, etc.

Third is the virus itself. I became very affraid and very paranoid about the virus at some point. It is important to be careful, but not overdo it, or we get extremely anxious and obcessed with that, to the point that it is unhealthy.

Finally, there is a lot of new sensory issues. Alcohol gel is very strong and I have trouble with the smell, but I found one with some senses that disguises the smell enough for me to use it, but I try to wash my hands instead. Also, the mask it is very difficult. I had to try several masks until I found one where I feel confortable, since they texture, ability to breathe and even smell might be too much for me. Autistic people in the UK do not have to use a mask, although if you can, I would advise to try to find one that you feel confortable enough to use it in enclosed spaces, for you security.

There is certainly more things that bother me and affected my mental health and routine, but I am still processing how the pandemic affected me and changed how I feel (since I have alexithymia sometimes it takes a long time for me to understand).

The most important for me was to make time to do something related with my special interests outside, in a safe environment one day per week. In general me and my partner choose a beach, nature reserve or nature walk per week and go, even if for just 10 minutes close to our house. It really helped my anxiety, which in some people might be associated with increased aggressiveness, meltdowns or shutdowns, as well as increased stimming (although I didn’t had increased aggressiveness, I did had increased frustration and irritability and all the others).

Also please try to leave time to rest. I think sometimes autistic people have way too much expectations to fulfill and not a lot of time to recover and to recharge. Make sure to have free time.

Hope any of this might help! What about you? What changed for you and how are you coping with the pandemic?


Pandemia, confinamento e o impacto nos autistas

Alguém me perguntou esta semana o que eu aconselho para a pandemia, já que o seu filho estava a ter mais dificuldades. Na minha experiência, há várias coisas que me incomodam e que mudaram, e espero que algo disto possa ajudar. Esteja ciente de que cada pessoa autista é diferente, e estou falando por experiência própria, e as circunstâncias e os motivos podem ser diferentes.

Faz menos de um ano que a pandemia e os confinamentos começaram, mas parece uma vida inteira. Quando começou, gostei bastante de ficar em casa, isolada, e ainda hoje gosto de algumas partes, como não ter que tocar nas pessoas e trabalhar em casa (isso tem sido uma vital para mim).

Depois de alguns meses, percebi que comecei a sentir-me inquieta, ligeiramente deprimida e com níveis mais altos de ansiedade. Como tenho alexitimia, é muito difícil para mim realmente entender o que estou a sentir, e pior ainda, comunicá-lo e mudar algo para melhor, então por um tempo pensei que fosse apenas stress da pandemia.

No entanto, algo mudou um dia, quando meu parceiro disse: “Algo está a acontecer contigo. Vamos a uma reserva natural. Acho que será bom para ti”. O meu primeiro instinto foi que provavelmente só me iria estressar ainda mais, já que fico nervosa se eu tiver que sair de casa com medo de ficar doente. Um dos meus interesses especiais são os animais, então pensei, por que não levar minha câmara e tirar algumas fotos de animais.

Mudou completamente a maneira como eu me sentia. O facto de estar ao ar livre com os meus interesses especiais, animais e fotografia, ao sol, deixou-me menos estressada e a sentir-me mais eu. Ainda não sei exatamente o que, por que e como me senti, mas agora sei que sair de casa, mesmo que eu sinta que só quero ficar em casa e fazer algo relacionado com os meus interesse especial, é muito útil, e tenho feito isso regularmente .

Mesmo que gostemos do nosso próprio espaço, é importante sair e desenvolver os nossos interesses especiais de forma que possam obter sol e fazer exercício. As reservas naturais ainda estão abertas, longe das pessoas e com segurança para caminhar. Se seu interesse especial for outra coisa, também pode jogar alguns jogos relacionados com o interesse num parque.

O segundo está relacionado com questões sociais. Fiquei mais nervosa e ansiosa com a etiqueta social e a comunicação, pois as máscaras realmente confundem-me. As máscaras são absolutamente importantes, mas tenho dificuldades de processamento auditivo, o que torna extremamente difícil com uma máscara normal entender as pessoas, e a falta de ver seus lábios e rosto torna mais difícil entender as pistas sociais (embora eu não tenha sido bom em lê-las mesmo quando eu podia vê-los). Isso me deixa desconfortável e a melhor maneira de contornar isso é usar máscaras para deficiência auditiva e vocalizar dicas sociais, ou seja, dizer diretamente as questões sociais “ocultas”, por exemplo, dizer que está a ser sarcástico, dizer diretamente o que precisa ou pensa, etc. .

O terceiro é que há muitos novos problemas sensoriais. O álcool gel é muito forte e tenho problemas com o cheiro, mas encontrei um com um cheiro especifico que disfarça o cheiro a álcool o suficiente para eu usar, mas tento lavar mais as mãos. Além disso, a máscara é muito difícil. Tive que experimentar várias máscaras até encontrar uma onde me sentisse confortável, já que textura, capacidade de respirar e até o cheiro podem ser demasiado para mim. Autistas no Reino Unido não precisam usar máscara, embora se puder, eu aconselho a tentar encontrar uma que se sinta confortável o suficiente para usar em espaços fechados, para sua segurança.

Finalmente, o próprio vírus. Fiquei muito assustada e muito paranóica com o vírus a certa altura. É importante ter cuidado, mas não exagerar, ou ficamos extremamente ansiosos e obcecados com isso, a ponto de não ser saudável.

Certamente há mais coisas que me incomodam e afetaram a minha saúde mental e rotina, mas ainda estou a processar como a pandemia me afetou e mudou a forma como me sinto (já que tenho alexitimia às vezes leva muito tempo para eu entender).

O mais importante para mim era arranjar tempo para fazer algo relacionado aos meus interesses especiais fora de casa, num ambiente seguro. Em geral eu e meu parceiro escolhemos uma praia, reserva natural ou passeio na natureza por semana e vamos, mesmo que por apenas 10 minutos perto de nossa casa. Realmente ajudou a minha ansiedade, que em algumas pessoas pode estar associada a aumento da agressividade, meltdowns ou shutdowns, bem como aumento das estereotipias (embora eu não tivesse aumento da agressividade, eu tive aumento de frustração e irritabilidade e todos os outros).

Além disso, tente deixar um tempo para descansar. Acho que às vezes os autistas têm muitas expectativas a cumprir e não têm muito tempo para se recuperar e recarregar. Certifique-se de ter tempo livre.

Espero que alguma destas coisas ajude! E para si? O que mudou para si e como está a lidar com a pandemia?


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Women's Rights

Fertility rate and Women’s Rights

Data from University of Washington’s Institute for Health Metrics and Evaluation

A new research showed that the population in several countries, as Spain and Japan, will lose half of their population until 2100, due to fertility rate decrease. The average of number of children a woman gives birth to fell from 4.7 in 1950 to 2.4 in 2017. If the number falls below approximately 2.1, then the size of the population starts to fall, and in 2100, is set on 1.7.

What is the difference?

Choice.

Women are choosing the children they want to have, with more access to employment, healthcare, abortion and contraception.

Instead of framing this data with the underlying insinuation of women’s selfishness of putting their body first than the economy, as I’ve seen a couple of newspapers do, maybe we need to rethink policies. A study in Denmark showed that childbearing accounts for 80% of the pay gap between women and men, giving us a specific target for future policies to improve birth rate. We need to reframe how mother’s work, with increase maternity and paternity leave, free childcare, flexible hours, incentives and benefits in the workplace.

In the UK, however, during the last economic crisis and the current pandemic, the first service to be cut was the childcare. Boris Johnson ordered the return of the British people to work, without providing childcare (which remains close) to women with children, making them 50% more likely to quit or get fired, during the coronavirus crisis, since they have to stay home with their child. In fact, not only he opened women’s works with nowhere to leave their kids, he also opened the Pubs first.

As we live in a society were Pubs are more important than childcare for women to be able to work, do not blame women for not wanting to care for a child. This is not the result of women sefishness, is the result of careless, sexist policies that continue to impact women around the world.

If you are in the UK, please write to your MP to open and increase funding of childcare services. You can do it through this link.


Uma nova pesquisa mostrou que a população de vários países, como Espanha e Japão, perderá metade da sua população até 2100, devido à diminuição da taxa de fertilidade. A média do número de filhos que uma mulher dá à luz caiu de 4,7 em 1950 para 2,4 em 2017. Se o número cair abaixo de aproximadamente 2,1, o tamanho da população começará a cair e, em 2100, é projectado em 1,7.

Qual é a diferença?

Escolha.

As mulheres estão a escolher os filhos que desejam ter, com mais acesso a emprego, saúde, aborto e contracepção.

Em vez de enquadrar esses dados com a insinuação subjacente do egoísmo das mulheres de colocar seu corpo em primeiro lugar que a economia, como já vi alguns jornais fazer, talvez seja necessário repensar políticas. Um estudo na Dinamarca mostrou que ter filhos é responsável por 80% da diferença salarial entre homens e mulheres, dando-nos uma meta específica para futuras políticas para melhorar a taxa de natalidade. Precisamos reformular o trabalho da mãe, com aumento da licença maternidade e paternidade, assistência infantil gratuita, horários flexíveis, incentivos e benefícios no local de trabalho.

No Reino Unido, no entanto, durante a última crise económica e a actual pandemia, o primeiro serviço a ser cortado foram os serviços para tomar conta de crianças. Boris Johnson ordenou o retorno do povo britânico ao trabalho, sem fornecer esta assistência (que permanecem fechadas) para mulheres com crianças, aumentando em 50% a probabilidade de se despedirem ou serem demitidas durante a crise do coronavírus, pois precisam ficar em casa com seus filhos. De facto, ele não apenas abriu os trabalhos das mulheres, mesmo que não tenham onde deixar os filhos, como também abriu os bares primeiro.

Como vivemos numa sociedade em que os bares são mais importantes que os cuidados infantis para as mulheres poderem trabalhar, não culpem as mulheres por não quererem cuidar de uma criança. Este não é o resultado de egoísmo das mulheres, é o resultado de políticas sexistas e descuidadas que continuam a impactar as mulheres em todo o mundo.

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Women's Rights

Body image

Almost one in two of the respondents, between the age of 18 and 24-year-olds, said images on social media had caused them to worry about their own body image. Also one in three young adults were depressed due to the same issue.

Body image is seriously damaging the mental health and self-esteem of young adults all over the world, specially due to Social Media and Advertising.

It is important to ensure brands and Socia Media are responsible to share more real bodies, instead of unattainable figures from celebrities with a private personal trainers and nutritionists.

There are 1.6 million british people, mostly women, affected by eating disorders, according to Anorexia & Bulimia Care. During lockdown, there was an increase in pressure to maintain body expectations, besides everything else that already damages our mental health during the pandemic.

These numbers will only increase until we, as society, change the value we put into unrealistic body types. Avoid following those accounts in Social Media, and start following positive, body loving people, that incentivates us to love our own.


Um estudo britânico mostrou que um em oito adultos teve pensamentos suicidas devido a imagem corporal.

Quase um em cada dois dos entrevistados, entre 18 e 24 anos, disse que as imagens nas redes sociais os preocuparam com a própria imagem corporal. Também um em cada três jovens adultos sentiu-se deprimido devido ao mesmo problema.

A imagem corporal está a prejudicar seriamente a saúde mental e a auto-estima de jovens adultos em todo o mundo, principalmente devido às redes sociais e à publicidade.

É importante garantir que as marcas e redes sociais sejam responsáveis ​​por incluir mais corpos reais, em vez de figuras inatingíveis de celebridades com personal trainers e nutricionistas particulares.

Existem 1,6 milhões de britânicos, principalmente mulheres, que sofrem de distúrbios alimentares, de acordo com a organização Anorexia & Bulimia Care. Durante o confinamento, houve um aumento da pressão para manter as expectativas do corpo, além de tudo o resto que já prejudica a nossa saúde mental durante a pandemia.

Estes números só irão aumentar até que nós, como sociedade, alterarmos o valor que atribuímos a tipos de corpos irrealistas. Evite seguir essas contas nas redes sociais e comece a seguir pessoas positivas que amam o seu corpo, e nos incentivam a amar o nosso.

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Women's Rights

Unpaid work during Lockdown

Data from Institute for Fiscal Studies and the UCL institute of education.

Unpaid work includes the time we do childcare, cook, transportation, do household chores or take care of family members. We already knew this work normally falls on the women, and that women do, globally, unpaid work valued in $10,9 trillions. In the UK this work contributes around £140 billions to the UK economy, more than the financial sector, according with UNWomen data and a Young Women’s Trust report.

With lockdown, childcare increased 35%, with schools and childcare services closed. Surprisingly, in case the father is in furlough, and the mother is working, they spend the same time on unpaid work, indicating that it still falls considerably on the women to do this work, even when is the only one working. In average, women did 2.3 hours more than fathers in childcare and 1.7 hours in housework.

Women were more impacted not only in unpaid work, but also in employment. Mothers were 47% more likely to have permanently lost their job or quit and 14% more likely to have been furloughed.

Men are now doing more unpaid work during lockdown than before, which is good news, and hopefully this extra work leads to equality in the household, but lockdown is clearly impacting women and men diferently and we need to ensure that all the work done for gender equality is not deleted due to this pandemic.


Texto em Português

O trabalho não remunerado inclui o tempo em que cuidamos das crianças, cozinhamos, usamos transportes, fazemos tarefas domésticas ou cuidamos de membros da família. Nós já sabíamos que esse trabalho normalmente recai sobre as mulheres e que elas fazem, globalmente, um trabalho não remunerado, avaliado em $10,9 triliões. No Reino Unido, este trabalho contribui com cerca de 140 biliões de libras para a economia do Reino Unido, mais do que o sector financeiro, de acordo com dados da UNWomen e de um relatório de Young Women Trust

Com o lockdown, o tempo com cuidados de crianças aumentou 35%, com escolas e serviços de assistência fechados. Surpreendentemente, caso o pai não esteja empregado e a mãe esteja, fazem o mesmo tempo de trabalho não remunerado, indicando que ainda cabe consideravelmente às mulheres fazer esse trabalho, mesmo quando são as únicas com emprego. Em média, mães fazem 2,3 horas a mais do que os pais em cuidados com os filhos e 1,7 horas em tarefas domésticas.

As mulheres foram mais impactadas não apenas no trabalho não remunerado, mas também no emprego. Mães têm 47% mais probabilidade de perderem permanentemente o emprego ou terem que deixar o emprego, e 14% maior probabilidade de ter que pedir assistência do Estado.

Os homens estão a fazer mais trabalho não remunerado durante o período de quarentena do que antes, o que é uma boa notícia, e esperemos que esse trabalho extra leve à igualdade dentro de casa, mas a pandemia está claramente a afectar as mulheres e homens de maneira diferente e precisamos garantir que todo o trabalho realizado para a igualdade de género não seja anulado devido a esta pandemia.