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Autism

Gender diversity and Autism

People who do not identify with the sex they were assigned at birth are three to six times as likely to be autistic as cisgender people are, according to the largest study yet

Cisgender people means their gender match their sex assigned at birth, while gender-diverse people, such as transgender, nonbinary or gender-queer, that their gender differ from the sex they were assigned at birth. Approximately 1–2% of the general population is estimated to be autistic and around 0.4–1.3% of the general population is estimated to be transgender and gender-diverse. This study does not mean causality (that being autistic causes being gender diverse or the opposite), but indicates correlaction, meaning it shows probability of a connection between the two, but we are not sure why, and it can have completely unrelated factors unnaccounted.

Several studies already had shown a connection between gender diversity and Autism, but now one of the biggest studies until now, confirmed it. They also shown that people that are gender-diverse are also more likely to suspect they have undiagnosed autism and to report autism traits, such as sensory difficulties, pattern-recognition skills and lower rates of empathy.

This underlines the importance of talking about gender diversity and sexual orientation with adolescents, and specially autistic adolescents. Be aware that just because we are autistic do not mean you are allowed to doubt us. A third of autistic gender-diverse adolescents say their gender identity has been questioned for having an autism diagnosis. Our disability shouldn’t invalidate who we are. We are deeply introspective, and very logical as a community, so we are rarely wrong about ourselves. People that intend to transition, however, should have support to do it safely, since it is a massive change, but autistic people gender shouldn’t be invalidated.

Why is this connection happens? We still don’t know. In my opinion, autistic people tend to reject and question society expectations, since we had to recognize and accept ourselves as different, making us less likely to reject who we are to fit in.


Pessoas que não se identificam com o sexo que lhes foi atribuído no nascimento têm três a seis vezes mais probabilidade de ser autistas do que pessoas cisgénero, de acordo com o maior estudo já feito.

Pessoas cisgénero significa que o seu género corresponde ao sexo atribuído no nascimento, enquanto pessoas com género diverso, como transgéneros, não binários ou queer, que seu género difere do sexo que foram atribuídos no nascimento. Estima-se que cerca de 1–2% da população em geral seja autista e cerca de 0,4–1,3% da população em geral seja transgénero ou não binário. Este estudo não significa causalidade (que ser autista causa ter género diverso ou o oposto), mas correlação, o que significa que mostra uma probabilidade maior de uma conexão entre os dois, mas não temos certeza do porquê, e pode ter factos completamente não relacionados não contabilizados.

Vários estudos já haviam mostrado uma conexão entre diversidade de género e autismo, mas um dos maiores estudos até agora, confirmou isso. Eles também mostraram que as pessoas com género diverso também têm maior probabilidade de suspeitar de autismo não diagnosticado e de relatar traços de autismo, como dificuldades sensoriais, habilidades de reconhecimento de padrões e taxas mais baixas de empatia.

Isso enfatiza a importância de falar sobre diversidade de género e orientação sexual com adolescentes, especialmente adolescentes autistas. Esteja ciente de que só porque somos autistas não significa que tem permissão para duvidar de nós. Um terço dos adolescentes autistas com diversidade de género afirmam que sua identidade de género foi questionada por ter um diagnóstico de autismo. A nossa deficiência não deve invalidar quem somos. Somos profundamente introspectivos e muito lógicos como comunidade, sendo que raramente estamos errados sobre nós mesmos. As pessoas que pretendem fazer a transição, no entanto, devem ter apoio para fazê-lo com segurança, já que é uma grande mudança, mas o género das pessoas autistas não deve ser invalidado.

Por que essa conexão acontece? Ainda não sabemos. Na minha opinião, as pessoas autistas tendem a rejeitar e questionar as expectativas da sociedade, uma vez que tivemos que nos reconhecer e nos aceitar como diferentes, o que nos torna menos propensos a rejeitar quem somos para nos encaixar.

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Autism Conversations LGBTQ

Happy Autistic Pride Day!

Text in English (Vê a versão em Português abaixo)

According to several studies, more people with Autism, specially women, reported sexual attraction to same- and opposite-sex partners, than general population.

In one of the studies, 69.7% of Autistic people said to be non-heterosexual, while in the control group only 30.3% did (Sexual Orientation in autism spectrum disorder, 2018, George R. Stokes A.).

A lot of Autistic people feel like their sexuality, as their brain, is in a spectrum. Gender is another component that there is more fluidity in the Autistic community. We tend to not receive societal expectations as is the idea of gender and attraction, as natural as the general population. If we question the assumption from neurotypicals that looking in the eye is a sign of listening, then it is only natural that we question our own sexuality and attraction.

We still don’t know exactly why this two communities cross this much, but there is some pre-European societies who embraced this fluidity.

All Native American tribes, when the European first contacted them, had the Two Spirit tradition, and aknowledged 2 to 5 gender roles within the tribe. The Two Spirit tradition say we all have two spirits inside us, female and male, and one heart. Any member of the tribe could transition between genders, and there was no moral gradient for both gender and sexuality. A child path should not be interfered by the parents, normally tending them as gender-neutral. A person that could see the world from both genders point -of-view, had a gift, and it was lucky. It was also a sign of high intelligence, due to the link with self-questioning and instrospection. The tradition was quickly destroyed by the Spanish monks.

Maybe Autistic people are more in the LGBTQ community for their quest of constant self-discovery, in their attempt to navigate a society that sometimes it doesn’t feel theirs. In my opinion, is the general population that lost their Two Spirits, and became poorer for it.

To all Autistic with Two Spirits and a lot of love to give,

Happy Autistic Pride Day!!!


Texto em Português

Segundo vários estudos, mais pessoas com autismo, especialmente mulheres, relataram atracção sexual por parceiros do mesmo sexo e do sexo oposto do que a população em geral.

Em um dos estudos, 69,7% do grupo de pessoas autistas disseram não ser heterossexuais, enquanto que no grupo de controle apenas 30,3% o fizeram (Orientação Sexual no transtorno do espectro do autismo, 2018 George R. Stokes A.).

No Autismo, por vezes sente-se que sua sexualidade, como o seu cérebro, está num espectro. Também tendemos a não receber expectativas da sociedade, como é a ideia de género e atracção, tão naturalmente quanto a população em geral. Se questionamos a suposição dos neurotípicos de que olhar nos olhos é um sinal de escutar, então é natural que questionemos nossa própria sexualidade e atração.

Ainda não sabemos exactamente por que estas duas comunidades se cruzam tanto, mas há algumas sociedades pré-europeias que adotaram essa fluidez.

Todas as tribos Nativas Americanas, quando os Europeus os contactaram pela primeira vez, tinham a tradição dos Dois Espíritos e reconheciam de 2 a 5 papéis de género na tribo. A tradição dos Dois Espíritos diz que todos temos dois espíritos dentro de nós, um feminino e um masculino, e um coração. Qualquer membro da tribo poderia fazer a transição entre os sexos, e não havia gradiente moral para género ou sexualidade. O caminho da criança não deve ser interferido pelos pais, normalmente criando-os como género neutro. Uma pessoa que podia ver o mundo de ambos os sexos, tinha um Dom, e teve sorte. Era também um sinal de alta inteligência, devido ao vínculo com o auto-questionamento e a introspecção. Esta tradição foi rapidamente destruída pelos monges espanhóis, por acharem ser heresia.

Talvez as pessoas autistas estejam mais incluídos na comunidade LGBTQ, devido à sua constante busca de auto-descoberta, na tentativa de navegar em uma sociedade que às vezes não sentem ser deles. Na minha opinião, é a população em geral que perdeu seus Dois Espíritos e ficou mais pobre por isso.

Para todos os Autistas com Dois Espíritos e com muito amor para dar,

Feliz Dia do Orgulho Autista !!!

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Conversations LGBTQ

J.K.Rowling and the Transgender community

Text in English (Vê a versão em Português abaixo)

J.K. Rowling wrote an essay on the Transgender community.

In her essay, J. K. Rowling talks about Autistic girls: “The UK has experienced a 4400% increase in girls being referred for transitioning treatment. Autistic girls are hugely overrepresented in their numbers.”

I am not transgender, and I can’t possibly understand the struggle to be in a body that you feel is not your own, but I am Autistic. So I will speak as Autistic, not as Transgender. There is a lot of information missing from that little reference, as there is a lot of assumptions easily drawn from it.

There is in fact a connection between Autism and Transgender communities. There is also a lot of Autistic people that are gender fluid and from the LGBTQ community. In one Asperger Syndrome service study in the UK, 9% of the 170 members were transgender. In general transgender people are in a higher percentage in the Autism community than in general population.

Why?

Autistic people already feel alienated from society. We spend most of our life feeling like we don’t “belong”, and that something must be wrong with us. Part of that is because we do not follow the conformity that Society tries to impose on us since children. Whatever expectations society have, gender is one of the most prevelent ones.

“You are a woman, you should be a Mother. You have a baby boy, why is he dress in pink?” We don’t realize but since we are children we are conditioned into a set of expectations based solely on being a woman versus a man.

The thing about Autistic people is.. we don’t give a shit about your expectations about us (Pardon my French). Obviously we are impacted by bullying and society continuous attempt to “cure us” or fit us into something that they feel more comfortable with. But in general, they can’t. We are who we are, and our brains will not fit into your expectations, even when you hammer it away with your education system and need for complaince. Specially because we have a different brain, and a different way to behave and think.

Since Gender is a societal construct, it is only natural that Autistic people, don’t feel connected with it as much as neurotypicals. Our brains just don’t work like that. We need to make an effort to actually understand societal expectations and social cues, because they are not natural, they were built. So it is easier for Autistic people to question their own gender.

I am a woman and I am damn proud to be one, and there was nothing anyone could say in the world that would make me want to be a men. So that’s why that comment from J. K. Rowling is incredibly condescendent. It implies autistic girls don’t have agency and intelligence enough to know who they are, and can be manipulated into transitioning. It implies that we are manipulated into gender dysphoria because of how influentiable we are.

That’s bullshit.

There is three main reasons that could be leading to an increase of autistic women transitioning.

1º It is more acceptable. There is more support, and love for people that had to go into hiding before to be who they were, and are STILL being killed for it.

2º The ammount of women diagnosed as autistic, had an explosive increase in the last few years due to proper studies in female patients and better diagnosis techniques (yeah, all previous studies were made on men.). More diagnosis, more diagnosed autistic girls transitioning.

3º Autistic people are neurodiverse. Our brain is already structurally different and doesn’t accept typical labeling rules of society.

This is it? We don’t know. This is what some studies pointed out, but only time will tell. What she wrote though it is simplistic and implies a whole lot of assumptions that are too damaging to cope.

If you indeed want to help Austistic girls, then ask for more diagnosis and support throughout the spectrum. In the UK we are waiting around 2 or 3 years for a diagnosis, sometimes not getting one because “you are too high functioning so you don’t need one”, something that no medical professional can EVER assume just by looking at a patient. Push for counseling and group therapies. We need that. What Autistic people do NOT need, is someone, again, telling us who we are, and speaking for us. We had that our whole life.

Finally, she says: “When you throw open the doors of bathrooms and changing rooms to any man who believes or feels he’s a woman – and, as I’ve said, gender confirmation certificates may now be granted without any need for surgery or hormones – then you open the door to any and all men who wish to come inside. That is the simple truth.”.

As she says, I also suffer from PTSD. I never for one second thought my fear should limit someone else’s freedom to be who they are. Fear shouldn’t be a reason to ask for limitation of rights, since it is Fear that is use, still today, to fuel racism, homophobia, and sexism throughout the world. I can’t use my PTSD, my Fear, or my past, as an excuse to generalized human behaviour and penalize innocent people for it. 1 in 3 women will suffer some sort of abuse throughout their life, and men don’t need a bathroom pass for that. It happens at home, in the streets, in our place of work. Abusers don’t need to say they are a women to get us into a vulnerable place.

It is damaging to label people as dangerous, just because we don’t understand them. Fear is the single most damaging feeling in human society.

We can all anchor our world on our fears and preconceived ideas on how the world should work, and reject diversity, as society been doing for years, or we finally admit that we are all different, and who we are is not fear-inducing, but love-inducing. It is the only way to build a safer world.

To J.K. Rowling, I don’t blame you. You are only a product of a generation that lived in fear for so long, but I would say as a woman on the spectrum, I am afraid of your fear, but not of who Trans people are. Who they are doesn’t kill people, but fear does.


Texto em Português

J.K. Rowling escreveu um ensaio sobre a comunidade transgénero.

No seu ensaio, JK Rowling fala sobre meninas autistas: “O Reino Unido teve um aumento de 4400% em meninas encaminhadas para tratamento de transição. As meninas autistas são extremamente super-representadas nesse número . “

Não sou transgénero e não consigo entender a luta em viver num corpo que não é o seu, mas sou autista. Faltam muitas informações nessa pequena referência, e muitas oportunidades para suposições facilmente extraídas dela.

De facto, existe uma conexão entre as comunidades com Autismo e Transgéneros. Também existem muitas pessoas autistas que são gender fluid ou/e pertencem à comunidade LGBTQ. Num estudo num serviço para Síndrome de Asperger no Reino Unido, 9% dos 170 membros eram transgéneros. Em geral, as pessoas trans estão em uma maior percentagem na comunidade do Autismo do que na população em geral.

Por quê?

Pessoas autistas já se sentem alienadas da sociedade. Passamos a maior parte da nossa vida sentindo que não “pertencemos” e que algo deve estar errado connosco. Parte disso é porque não seguimos a conformidade que a Sociedade tenta nos impor desde crianças. Quaisquer que sejam as expectativas da sociedade, o género é um dos mais prevalecentes.

“És uma mulher, tens ser mãe. Tem um bébé menino, por que é que ele está vestido de rosa?” Não percebemos, mas, desde que somos crianças, somos condicionados a um conjunto de expectativas baseadas unicamente em ser mulher versus homem.

O problema é que nas pessoas autistas… nós não queremos saber quais as vossas expectativas em relação a nós. Obviamente, somos impactados pelo bullying e pela tentativa contínua da sociedade de “nos curar” ou de nos encaixar em algo com o qual eles se sintam mais confortáveis. Mas, em geral, não conseguem. Somos quem somos, e nosso cérebro não se encaixa nas vossas expectativas, mesmo quando o martelam com o vosso sistema educacional e necessidade de pertencer. Especialmente porque temos um cérebro diferente e uma maneira diferente de nos comportar e pensar. Não é uma fase, ou personalidade, é uma estrutura cerebral diferente da típica.

Como o género é uma construção social, é natural que os autistas não se sintam conectados a essa definição tanto quanto os neurotípicos. O nosso cérebro simplesmente não funciona assim. Nós precisamos fazer um esforço para realmente entender as expectativas e interacções sociais, porque elas não são naturais, foram construídas. Portanto, é mais fácil para as pessoas autistas questionarem seu próprio género.

Eu sou uma mulher e tenho muito orgulho de ser uma, e não havia nada que alguém pudesse dizer no mundo que me fizesse querer ser homem. É por isso que esse comentário de J. K. Rowling é incrivelmente condescendente. Isso implica que as pessoas autistas não têm agência e inteligência suficientes e podem ser manipuladas para transitar de sexo. Isso implica que somos manipulados para uma disforia de género por causa de quão influenciáveis ​​somos.

Isso é estupidez.

Há três razões que podem estar a levar a um aumento de mulheres a passar por transição na comunidade autista.

1º Há mais aceitação. Há mais apoio e amor pelas pessoas que antes tinham que se esconder para serem quem eram e ainda estão sendo mortas por isso.

2º A quantidade de mulheres diagnosticadas como autistas teve um aumento estrondoso nos últimos anos devido a estudos adequados em pacientes do sexo feminino e melhores técnicas de diagnóstico (sim, todos os estudos anteriores foram feitos em homens).

3º Os autistas são neurodiversos. O seu cérebro já é estruturalmente diverso e não aceita as regras de rotulagem típicas de uma sociedade.

Se quer realmente ajudar meninas autistas, peçam mais diagnóstico e apoio em todo o espectro. No Reino Unido, temos que esperar cerca de 2 ou 3 anos por um diagnóstico, às vezes não recebendo um porque “é funcional e não precisa de um”, algo que nenhum profissional médico NUNCA pode assumir apenas ao olhar para um paciente. Peçam mais aconselhamento e terapias de grupo. Nós precisamos disso. O que NÃO precisamos é de alguém, novamente, a dizer-nos quem somos, ou a achar que deve falar por nós. Tivemos disso a vida toda.

Finalmente, ela diz: “Quando você abre as portas das casas de banho e e dos vestiários para qualquer homem que acredita ou sente que é mulher – e, como eu disse, certificados de confirmação de género agora podem ser concedidos sem a necessidade de cirurgia ou hormonas – então você abre a porta para todo e qualquer homem que deseje entrar. Essa é a simples verdade. “.

Como ela diz, eu também sofro de PTSD. Eu nunca pensei que meu medo deveria limitar a liberdade de outra pessoa para ser quem ela é. O medo não deve ser uma razão para pedir limitação de direitos, pois é o medo que ainda é usado hoje em dia para fomentar o racismo, a homofobia e o sexismo em todo o mundo. Não posso usar meu PTSD, meu medo ou meu passado como desculpa para generalizar o comportamento humano e penalizar pessoas inocentes por isso. 1 em cada 3 mulheres sofrerá algum tipo de abuso ao longo da vida e os homens não precisam de um passe de casa de banho para isso. Isso acontece em casa, nas ruas, no nosso local de trabalho. Os agressores não precisam dizer que são mulheres para nos levar a um lugar vulnerável.

Todos nós podemos ancorar nosso mundo em nossos medos e ideias preconcebidas sobre como o mundo deve funcionar e rejeitar a diversidade, como a sociedade faz há anos, ou finalmente admitimos que somos todos diferentes, e quem somos não é indutor de medo, mas indutor de amor. É a única maneira de construirmos um mundo mais seguro.

Quanto à J.K. Rowling, eu não a culpo. Ela é apenas o produto de uma geração que viveu com medo por tanto tempo. Apenas digo que, como mulher no espectro, tenho medo do medo dela, mas não de pessoas Trans. Quem elas/eles são não mata pessoas, mas o medo mata.